
Liberdade e censura
Por Armando Soares
Não é só
na política e na administração pública que o Brasil tem sérios e profundos
problemas. A imprensa brasileira precisa se reciclar e voltar a representar o
foro da liberdade de expressão sem o cacoete de publicar apenas o que lhe
interessa e traz vantagens econômicas, particularmente quando as questões
envolvem problemas de ordem pública. A imprensa deveria ser um posto avançado
do povo para fiscalizar as ações dos políticos, das prefeituras e dos governos,
uma vez que a transparência deixou de existir na política e nas instituições
com a morte da moral e da ética. O brasileiro precisa saber que uma nação só se
constrói se o povo a empurra com um projeto de nação que tenha como predicado a
ética, a moral e a honestidade, coisas que desapareceram no Brasil, o que
explica o tamanho da criminalidade. O exemplo está vindo de cima, do governo e
dos políticos que roubam e prevaricam de todas as maneiras e nada acontece. Se
a impressa que é o posto avançado da democracia não ataca a prevaricação, a
porta fica aberta para toda ação imoral e criminosa. O Brasil precisa para se
soerguer de uma higienização completa em todos os setores públicos e privados,
de outra forma continuaremos a conviver com a sujeira moral que destrói
inapelavelmente qualquer país.
Segundo a Wikipédia, liberdade de
imprensa é a capacidade de um indivíduo de publicar e dispor de acesso à
informação (usualmente na forma de notícia), através de meios de comunicação em
massa, sem interferência do estado. Embora a liberdade de imprensa seja a
ausência da influência estatal, ela pode ser garantida pelo governo através da
legislação. Ao processo de repressão da liberdade de imprensa e expressão
chamamos censura. A liberdade de imprensa é tida como positiva porque incentiva
a difusão de múltiplos pontos de vista, incentivando o debate e por aumentar o
acesso à informação e promover a troca de ideias de forma a reduzir e prevenir
tensões e conflitos. Contudo, é vista como um inconveniente em sistemas
políticos ditatoriais, quando normalmente reprime-se a liberdade de imprensa, e
também em um regime democrático, quando a censura não necessariamente se torna
inexistente. Geralmente, refere-se a material escrito, mas segundo alguns
autores, o termo "imprensa" pode, por vezes, alargar-se a outros
meios de comunicação social. De qualquer forma, a liberdade de imprensa
corresponde à comunicação através da mídia, como jornais, revistas ou a
televisão enquanto a "liberdade de expressão" se aplica a todas as
formas de comunicação como, por exemplo, nas artes.
Entretanto, a imprensa, como um meio
de comunicação, tem como dever divulgar com veracidade os fatos decorrentes
positivos ou negativos. Por se tratar de uma sociedade democrática, não é só
dever, mas direito da própria imprensa (com bom senso) transmitir livremente a
realidade. A negatividade se encontra quando a imprensa distorce ou encobre a
verdade usando a ferramenta de divulgação, desviando o foco do cidadão ao que
realmente importa num determinado fato e isso acontece corriqueiramente,
disseminando a chamada manipulação analítica dos telespectadores e leitores de
jornais e revistas. Não há como contestar essa veracidade quando o assunto é
política. Para a população, o certo a fazer é sempre buscar mais informações,
em diferentes fontes e meios de comunicação, em busca da verdade para formar
sua própria opinião analítica e crítica. Não esqueçamos que a classe pobre
brasileira que vota e elege políticos pouco lê jornais e revistas, mas tem
televisão em suas casas, um veículo que com facilidade anestesia o
telespectador com inverdades, se assim for de conveniência da empresa
transmissora. Portanto, necessário se torna verificar, com isenção de ânimo o
que vem representando a influência da televisão na atual crise brasileira
econômica, social, política, institucional, moral e ética.
A mesma imprensa que defende com
unhas e dentes a liberdade de informação na sociedade também omite, disfarça,
manipula, abafa, proíbe, censura. Vivemos no Brasil debaixo de mordaças
disfarçadas, de mentiras transformadas em verdade através de propagandas
subliminares. O que determina a liberdade e a censura é o interesse econômico. A
verdade é que apenas os interesses individuais não deveriam prevalecer sobre os
da sociedade, mas infelizmente isso não acontece.
A
imprensa e a mídia são conhecidas como o "quarto poder" porque têm um
papel importante no mundo democrático. A liberdade de pensamento, de opinião,
de expressão e de imprensa é fundamental. Não é à toa que esta liberdade é a
primeira vítima dos regimes totalitários de qualquer tendência. Por outro lado,
é importante que a imprensa e a mídia não estejam concentradas nas mãos de
apenas alguns setores da sociedade, para que não se transformem em porta-vozes
exclusivos destes segmentos. A imprensa e a mídia devem ser veículos de opinião
e expressão de todos, de toda sociedade, e não de apenas uma parcela desta.
É muito importante ler a notícia. Mas
também é muito importante saber por que recebemos esta notícia. Devemos
perguntar: "por que esta notícia está na primeira página?". É bom ler
o jornal, mas é melhor saber o que pensa o dono do jornal. Por que ele quer que
a gente leia determinada notícia? Ou por que esconde a verdade? Muitas vezes
informa-se o que se quer informar, o que é conveniente informar. Uma boa
estratégia para enfrentar esta situação é, além de conhecer a fonte da
informação, variar, ouvir o que os outros, se existirem, têm a dizer.
Lamentavelmente no Brasil a imprensa
se curva ao interesse econômico, o que é um risco para a vida do país e dos
brasileiros, estes totalmente absorvidos no seu trabalho do dia-a-dia, o que
impede de poder avaliar o funcionamento do Estado, da democracia e da
liberdade, avaliação que deveria caber à imprensa, mas que está, na sua maioria,
a serviço de interesses pequenos e de grupos políticos que transformaram o
Brasil numa republiqueta sem rumo e totalmente esburacada por ratos roedores do
dinheiro público.
Nicholas Hagger nos dá um exemplo
sobre o poder do econômico. A maioria de nós enfatiza Hagger, tem uma atitude
ingênua em relação à riqueza. Acreditamos que a geração e a manutenção da
riqueza são elementos separados dos corredores do poder, da política e,
especialmente, da política democrática. No entanto, os dois fatores são
inseparáveis. O poder econômico dá as cartas. Um grupo de indivíduos e de
famílias passou a controlar uma significativa parcela da riqueza mundial,
colaborando para promover seus interesses comerciais conjuntos: os Rothschilds,
Rockefellers, Warburgs, Morgans e Schiffs – famílias dos homens influentes que
inventaram o Federal Reserve System na ilha Jekyll, o que Hagger chama de “a
Corporação”. A Corporação tem natureza dinástica. Renova-se de geração em
geração e, existe até hoje. Os Rothschilds ganharam um monte de dinheiro com a Batalha
de Warterloo e outros conflitos, escondem-se por trás de uma rede de bancos
comerciais, negócios com ouro e empresas de participação (holdings) em
empreendimentos imobiliários e negócios com petróleo. Os Rockefellers passaram
a controlar todos os novos bancos centrais, negócios com o petróleo. Suas
fortunas são estimadas em trilhões de dólares. Financiaram guerras, revoluções
da esquerda e da direita. Tanto o capitalismo como o comunismo foi financiado
pelos Rockefellers e Rothschilds, o que prova que quem manda no mundo é o
dinheiro. Depois dos eventos de Waterloo, os Rothschilds têm sido genericamente
identificados como a força motora imperialista da Grã-Bretanha e dos maiores
países da Europa. O movimento intelectual do internacionalismo refletia aspirações
semelhantes, embora usasse métodos distintos. Os Rothschilds também tinham
interesse em financiar esse tipo de movimento. Por exemplo, na década de 1860,
financiaram o livro O Capital de Karl Marx, também o autor do Manifesto
Comunista. Enquanto as pessoas se matam defendendo a religião, ideologias, os
poderosos que comandam o dinheiro ficam cada vez mais ricos. Isso acontece porque
qualquer revolução e guerra por menor que seja precisa do dinheiro para comprar
armas, combustível, alimentos e outras coisas. Como o dinheiro não tem pátria,
ética, moral, ideologia e religião se presta para qualquer coisa suja e imoral,
como se prova bem junto de nós no Brasil. A conclusão desses exemplos é que o
dinheiro é o senhor absoluto no mundo e comanda todas as ações políticas,
conflitos e guerras, pois são dos conflitos que os poderosos aumentam seu
patrimônio se credenciando para a tarefa de dominação mundial.
Sabendo dessa verdade é que se pode
afirmar com segurança que a imprensa omite, disfarça, manipula, abafa, proíbe e
censura. A prova dessa verdade está na omissão da imprensa em não informar ao
povo brasileiro da verdadeira intenção política do PT, da verdadeira intenção
de Lula, de Dilma, da sujeira que existe na alcova da justiça, da administração
pública seja ela municipal estadual e federal, das negociatas que sempre
existiram nos governos petistas, na questão ambiental fraudulenta, uma caixa de
fazer dinheiro à custa do empobrecimento de regiões amazônicas, como é o caso
do Pará que não tem programa de desenvolvimento econômico, mas tem o programa
de municípios verdes que propicia vantagens aos seus administradores. Belém do
Pará, um município sem perspectiva, sem vida econômica é sustendo por
propagandas enganosas, mentirosos, verdade encoberta pela imprensa que
teoricamente tinha o dever de mostrar a verdade ao povo para que não continue
enganado. A boa imprensa tem o dever de mostrar a verdade para que o povo não
seja enganado e perca sua vida em região que não tem perspectiva.
“Quem quiser nascer tem que destruir
um mundo”, mensagem de alto significado contida no livro Demian, de Hermann
Hesse, que significa destruir no sentido de romper com o passado, romper com as
máscaras que encobrem com a verdade no nosso dia-a-dia. Romper com a mentira,
com a enganação. A higienização do Brasil passa também pela imprensa, um poder
extraordinário que pode conduzir o povo para o precipício ou para a
prosperidade. O mundo brasileiro corrompido, imoral, canhestro, imundo, cínico
que conhecemos e que tanto mal nos tem feito tem que ser destruído para que um
novo Brasil seja criado.
Armando Soares – economista
e-mail: teixeira.soares@uol.com.br
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