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sexta-feira, 14 de março de 2014

Rodrigo Constantino: Carta aberta a Letícia Spiller e um oportuno esclarecimento

Caros leitores,

Embora já tivesse tido a oportunidade de divergir de rodrigo Constantino - e eu nem ninguém precisamos concordar com alguém sempre, pois gozamos de nossas liberdades - fato é seus artigos ultimamente têm sido muito bem escritos, muito bem fundamentados e dotados daquele bom senso que a maturidade traz àqueles que se esforçam para compreender as coisas da vida. 

Neste contexto, sugiro a todos lerem a Carta Aberta a Letícia Spiller e o PS que Rodrigo escreveu devido à repercussão de seu artigo.

Carta aberta a Letícia Spiller

leticia-spiller
Prezada Letícia,
Antes de mais nada, gostaria de dizer que admiro seu talento como atriz e também te considero muito bonita. Infelizmente, você tem endossado certas ideias um tanto estapafúrdias, aplaudido regimes nefastos como o cubano, e alegado que se arrepende de ter usado uma camisa com a bandeira americana no passado, chegando a afirmar que se fosse hoje usaria uma com o Che Guevara.
Ontem, sua casa no Itanhangá foi assaltada por bandidos armados, que lhe fizeram de refém enquanto sua filha dormia logo ao lado. Lamento o que você passou, pois deve ser, sem dúvida, uma experiência traumática. Nossa casa é nosso castelo, e se sentir inseguro nela é terrível, especialmente quando temos filhos menores morando com a gente. A sensação de impotência é avassaladora, e muitos chegam a decidir se mudar do país após experiências deste tipo.
O que eu gostaria, entretanto, é que você fosse capaz de fazer uma limonada desse limão, ou seja, que pudesse extrair lições importantes desse trauma que ajudassem a transformá-la em uma pessoa melhor, mais consciente dos reais problemas que nosso país enfrenta. Se isso acontecesse, então aquelas horas de profunda angústia não seriam em vão.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Rodrigo Constantino: Hobbes nas ruas


Publicado em 17/02/2014
Vídeo onde comento o excelente artigo de hoje de Luiz Felipe Pondé na Folha. A esquerda caviar, em sua bolha, usa Rousseau para criar o "novo homem", por odiar as pessoas comuns, e vai acabar tendo encontro com Hobbes, o "homem como lobo do homem".

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Preserve a Natureza: Não Maldiga o Lucro!

Por Klauber Cristofen Pires

Quem poderia imaginar que de um curso de sobrevivência na selva poderíamos ter uma aula de economia? Não é exagero, mas isto mesmo! O Centro de Instrução de Guerra na Selva – CIGS, sediado em Manaus, é uma das instituições mais respeitadas do mundo no que faz: ensinar técnicas de combate e sobrevivência em florestas equatoriais, e o curso de sobrevivência, que também é extensível a civis, tem, entre seus ensinamentos, o de que se não deve extrair os palmitos das palmeiras.

A razão? Não, não pensem de que se trata de alguma portaria do Ibama. A questão é outra: o trabalho de obter o palmito, que envolve cortar a palmeira, retirar as folhas e as lâminas externas que envolvem o broto comestível, consome mais calorias do que se obtém com a sua ingestão. Na selva, seja para o soldado ou para um sobrevivente de um desastre aéreo ou naufrágio, a moeda corrente são as calorias.

Evidentemente, ao pegarmos um vidro de palmito na prateleira do supermercado não estamos a valorizá-lo por seu valor nutricional, mas pelo seu sabor, pelo que o temos como uma iguaria. É apenas uma questão de preferências. Não obstante, a lei continua a ser a mesma: notemos que um vidro de palmito custa bem mais caro que outros legumes ou verduras. Este preço salgado tem uma informação a prestar: que o público deve consumi-lo com moderação. Se, por acaso, houver uma excepcional procura, isto é, se uma parcela expressiva da população exercer a sua preferência por este bem, o preço aumentará cada vez mais, dissuadindo os fãs menos ardorosos, até equilibrar a oferta com a demanda.

Entretanto, isto não é tudo: um dado preço tem a característica também de incentivar a produção, e é isto o que tem ocorrido justamente com o palmito, pois já há produtores animados com o mercado promissor. Se depender deles, as saladas não sentirão a falta do ingrediente precioso.

Tem sido muito comum disseminar a idéia de que o lucro é o grande motor da devastação da natureza. Na tv, nos livros escolares, nas tribunas dos políticos ou mesmo nas missas, tem sido vendida com muito sucesso a idéia de que somos todos vítimas de empresários “gananciosos” e “inescrupulosos”. Não fôssemos um povo tão fútil e mentalmente preguiçoso, bastaria pouco para ver que o lucro, por si só, nada informa sobre a extração de recursos naturais. Por maior que fosse a expectativa de lucro da atividade madeireira, por exemplo, nada ele poderia fazer se a população abdicasse de querer casas, móveis e outros objetos de madeira, ou que para isto preferisse, por exemplo, o plástico ou o aço. Em termos bastante simples: não é o lucro que serra a árvore, mas sim a demanda das pessoas. Aquele que em público condena a insensibilidade do madeireiro, mas ao voltar pra casa senta-se numa mesa de madeira, pega suas roupas num roupeiro de madeira e dorme em uma cama de madeira, age como um hipócrita, dado que é seu cúmplice patrocinador.

Extrair madeira com objetivo de lucro é muito mais vantajoso para a preservação da natureza, porque a atividade tende a se desmobilizar quando se torna economicamente desinteressante. Que não sejam os motivos econômicos, serão, por exemplo, os políticos: não serão pessoas comuns as beneficiadas com casas, móveis e objetos, mas políticos e burocratas, que, pelo fato de que não haver um preço definido para a madeira, e mesmo que houvesse, NÃO seriam eles que pagariam por ela, nada se importam com o custo de ter uma bela estante de mogno trabalhado em seus gabinetes, bastando-lhes, para tê-la brilhando, lustrosa, à sua frente, não mais que uma canetada. Não serão também, da mesma forma, empreendedores a lhes fornecer, servindo como mais uma instância de juízo sobre a conveniência da empreitada, mas peões ou soldados, que lhes obedecerão cegamente, até que não haja um mínimo pedaço de pau para se fazer um palito de dente.

Isto já aconteceu antes, e muito nos países comunistas. Um dos exemplos mais marcante foi a esterilização do mar de Aral, antes uma das maiores reservas piscosas daquele país. A eliminação das árvores da ilha da Páscoa também pode ser um exemplo significativo, pois eram colhidas para a construção e transporte daqueles cabeções, tão somente com o objetivo de saciar a vontade dos soberanos.

Sempre que fazemos algo com intuito de obter lucro, desde que haja liberdade de concorrência – não é necessário que haja uma concorrência real e já estabelecida – tendemos a racionalizar ao máximo os custos, e nisto reside um grande fator de preservação dos recursos naturais!

As primeiras geladeiras, para quem não sabe, consumiam o gás refrigerante sem retorno! Isto mesmo: quando o gás acabasse, o seu dono tinha de comprar mais uma garrafa de gás. Este sistema perdurou principalmente nas frotas de caminhões frigoríficos. Foi o custo de produzir este gás que gerou a necessidade de um sistema de refrigeração que o condensasse novamente para reutilização em um novo ciclo. Se nos ativermos somente às geladeiras, veremos que hoje um destes aparelhos consome menos de um quarto da energia elétrica, possui uma eficiência térmica muito maior, dificilmente enferruja ou dá pane, e somente exige uma carga de gás se houver um dano físico ao seu sistema.

Os pneus dos carros, que antes furavam por qualquer motivo e exigiam uma câmara interna, hoje rodam mais de sessenta mil quilômetros sem necessidade de troca, e ainda admitem uma recauchutagem que lhes dará uma sobrevida de mais uns vinte mil quilômetros! Outra: quanto se gastava antigamente de tinta com a escrita a bico-de-pena? Imagine-se, há meio século atrás, a escrever este artigo, molhando uma pena, palavra por palavra, no tinteiro, e depois passando o mata-borrão! Mesmo as famosas canetas-tinteiro, objeto do desejo de tantos estudantes daquele tempo, consumiam, por documento, muito mais tinta que as modernas esferográficas. São milhões os casos em que a busca de eficiência resultou em produtos cada vez melhores, mais seguros e mais baratos. Não dá, para o tamanho que se espera de um artigo, continuar citando aqui, mas qualquer pessoa pode observar que isto é verdadeiro.

Se há um único argumento que se pode apontar contra o sistema de livre mercado, é o de que este procura atender a pessoas comuns, pessoas do povo, e a um número cada vez maior. Os ambientalistas detestam isto: não que não adorem as maravilhas modernas, pois delas não abrem mão, ah, isto não! Carro popular? Cruz-credo, que cafonice! Um daqueles luxuosos jipões 4X4 é o mínimo aceitável. Aceitável, mas só pra eles e pra quem se lhes garanta o poder de determinar como os outros devem viver. Não à toa, em nosso país, comunidades inteiras, que viviam em seus domínios muito antes da chegada destes gurus do comportamento alheio, hoje passam fome, pois foram proibidas, por estes estranhos que se interpuseram a elas, de pescar, caçar, extrair o alimento ou o remédio da flora, ou mesmo de plantar uma modesta “rocinha” ou criar uma galinha ou porco (pois são espécies “invasoras”). Agora só o que podem fazer é esperar que caia um pedaço de pau de uma árvore para fazer uma carranca e implorar para que um ambientalista passe por lá e compre! Eu é que não vou comprar: artesanato é uma daquelas coisas que só tem uma utilidade: dar de presente.

quinta-feira, 10 de agosto de 2006

A Burguesia Fede?


Por Klauber Cristofen Pires

Publicações: Blogs Coligados, Parlata, Diego Casagrande, O Estadual, Manaus on Line, O Guaruçá, Instituto Liberdade

A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia

Vamos acabar com a burguesia
Vamos dinamitar a burguesia
Vamos pôr a burguesia na cadeia
Numa fazenda de trabalhos forçados
Eu sou burguês, mas eu sou artista
Estou do lado do povo, do povo.
Trechos de “Burguesia” - Cazuza/Ezequiel Neves/George Israel

Há um fato que merece a atenção: porque será que os artistas, em sua esmagadora maioria, sempre se colocaram contra a liberdade de mercado? No Brasil, é possível até mesmo falarmos de uma unanimidade. Até hoje, são tão raros os testemunhos em contrário, que só é possível lembrar as exceções pelo reconhecimento da extrema coragem manifestada por uns poucos corajosos, cônscios de toda repercussão negativa a pairar-lhes sobre as cabeças.
A estrela Regina Duarte felizmente voltou à tv brasileira após três anos de ter confessado o seu medo que, se não fosse uma surpreendente atuação de nossas frágeis instituições, teria tornado-se realidade, na forma da mordaça ao Ministério Público, aos servidores públicos e à liberdade de imprensa, no mínimo. Não menos ousadas foram as aparições da brilhante atriz Beatriz Segall e do cantor Agnaldo Timóteo, este inigualável, nas entrevistas a que comparece. Que se perdoem eventuais omissões.
Longe de dar um ponto final na busca das razões pelas quais os artistas, em esmagadora maioria, defendem a ideologia socialista – e isto é um fato verificado no mundo todo, sendo que no Brasil é apenas mais notório – muitas vezes colocando-se abertamente a favor dos partidos mais radicais, os próximos parágrafos tentarão ao menos fornecer alguns indícios para a compreensão deste fenômeno.
A burguesia nasceu das primeiras aglomerações de pequenos artesãos e caixeiros viajantes, que, para livrarem-se do poder dos nobres, bem como se manter próximos dos seus consumidores, procuravam instalar-se nas fronteiras mais distantes de seus domínios, onde o poder feudal era mais fraco e contrastável com os dos potentados vizinhos. Assim floresceram as primeiras cidades européias. Era a forma como as pessoas simples e trabalhadoras podiam escapar, ou pelo menos diminuir a voracidade e a brutalidade com que eram tratadas pelos “dons” e “lordes” da vida, a quem tinham de pagar pesados pedágios, impostos e trabalhar pesado, de sol a sol, comendo repolho a vida toda. Aos poucos, foram prosperando, a ponto de, ao fim de um ciclo histórico, acabarem por superar seus antigos exploradores.
Apesar de industriosas, estas pessoas, pelo menos no princípio, demonstravam pouco apego com relação às artes, isto é certo. Mas isto não significa que fossem seres humanos destituídos do senso de beleza. Apenas estavam todos engajados em superar suas dificuldades e sofrimentos mais urgentes: precisavam de roupas, de casas, de sapatos, de móveis e outros bens.
Aprenderam que era necessário educar seus filhos, para conseguir melhor produtividade em seus empreendimentos. Compreenderam o sentido da propriedade privada, por reconhecerem a injustiça da pilhagem, de que tanto foram vítimas. E começaram a poupar, por perceber como é custoso o trabalho e a necessidade de manterem-se previdentes face às incertezas da vida, bem como por vislumbrarem as oportunidades de investir.
Em suma, levavam a vida, por assim dizer, sem muita poesia. A rotina era pautada pelo trabalho árduo, pela atitude austera e pela valorização da responsabilidade pessoal. Nada a ver com os belos bailes onde se tocavam valsas rodadas, regadas a champanhes, em salões ricamente ornamentados com preciosas esculturas e pinturas de mestres. Em comparação com os dias atuais – e é muito propícia a comparação entre uma Europa de três séculos atrás e o Brasil de hoje – esta gente podia ser comparada com os camelôs, aquela gente “brega” que trabalha na informalidade porque não admite roubar, em contraste com o luxo palaciano provado por aqueles que se refestelam em dinheiro público.
Segundo Ludwig von Mises, logo no começo da revolução industrial a classe representada pelos detentores de títulos de nobreza costumava detratar o modus vivendi daquela gente, assim considerada “sem origem”, “tosca” e “sem refinamento”. Lembra o sábio austríaco, oferecendo como um exemplo os primeiros guarda-roupas industrializados, que ele mesmo os comparava, pela rusticidade, a meros “caixões com portas”, em contraste com os ricos entalhes ornamentais dos móveis da aristocracia.
Todavia, eram simples porque a necessidade mais urgente era produzir na maior quantidade possível; os consumidores não tinham escolha, já que toda a demanda era maior que a procura; ademais, ainda não possuíam capital que lhes permitissem optar por produtos mais requintados. Aqui também se pôde verificar, de três ou quatro décadas para cá, que os móveis passaram, paulatinamente, a agregar mais elementos estéticos, e a preços razoavelmente acessíveis.
A classe artística, todavia, contrariamente à burguesa, seguiu um rumo diverso. Os pintores, escultores e compositores floresceram justamente no seio da nobreza. Seus patrocinadores foram, mesmo após a ascensão da burguesia (isto é, até que a satisfação de outras necessidades mais urgentes destes já tivesse sido alcançada.), a casta nobiliárquica européia. Daí compreende-se porque se uniriam aos seus senhores, e não à plebe rebelde; Some-se isto ao fato de que esta gente nunca foi lá muito entrosada com números e cifras - seu negócio sempre foi trabalhar com as ilusões, as fantasias, os romances – de modo que a vida recatada a previdente dos primeiros burgueses lhes causava repulsa, quando comparada com a opulência e fartura das cortes, àquele tempo em que os exageros, das roupas à etiqueta, eram a mais fiel expressão da fineza.
Em Terra de Santa Cruz, é reconhecida a supremacia do poder público em oferecer trabalho à classe artística. São os showmícios; as propagandas televisivas; os filmes aos quais ninguém quer assistir, mas de financiamento assegurado por órgãos estatais; são os trios elétricos a fazerem micaretas pelo país inteiro, e assim por diante...
Cazuza foi um dos artistas mais prestigiados de sua época. Ele se declarava diferente dos burgueses, alegava, por ser artista. Aliás, desejava, com a naturalidade de um guerrilheiro do Kmher Vermelho, que queria mandar a burguesia para “uma fazenda de trabalhos forçados”. É difícil imaginar que o seu dinheiro - ganho também com trabalho honesto, conquanto imoral – fosse diferente do que qualquer pessoa usa em frente a um caixa de supermercado, ou dos próprios burgueses que lhe compraram os discos. E é lamentável que, à época, jamais alguém tenha tomado alguma atitude de protesto. Exagero? Experimente trovar a palavra “burguesia” por “raça negra”, e veja lá se não daria cadeia...
Por fim, afirmar que não era burguês porque era do povo nunca passou de uma grande mentira. O povão foi xingado pelos intelectuais marxistas de “lumpen” (“lixo”), justamente porque, vacinado, não lhes aderiu às revoluções que culminaram com a instauração dos primeiros regimes socialistas. Os fundadores destas correntes coletivistas se originaram, isto sim, dentre os aristocratas, que, percebendo a decadência, puseram-se a combater as liberdades que lhes esvaziavam o poder. E os artistas, seus companheiros palacianos, lhes fizeram coro.