
A história se
repete
Por Armando Soares
Por trás do truísmo superficial de que
“a história se repete” ocultam-se forças inexploradas que seduzem os homens a
repetir seus mesmos e trágicos erros... O neurótico que toda vez comete o mesmo
tipo de erro e toda vez espera safar-se não é estúpido, é apenas doente. Alguns
pensadores não aceitam a ideia de que a história se repete. Entretanto, a
maneira de pensar e de atuar de políticos e administradores públicos no
presente, quando abraçam o poder ficam de tal forma inebriados, doentes que os
levam a cometer os mesmos erros de seus iguais no passado impedindo o avanço
econômico de determinada região e país.
Os
acontecimentos que determinaram o colapso da atividade econômica da borracha
amazônica no período compreendido entre 1850 e 1920, se assemelha ao que ocorre
hoje em nossos dias com o desenvolvimento obstaculizado pela política ambiental.
Há uma constante no comportamento e modo de pensar de quem assume o poder, ou
seja, quem assume o poder se considera o mais inteligente e preparado de todos
os seres humanos, postura que facilita a penetração de áulicos, de interesseiros
para tirar vantagens. Governantes suscetíveis à manipulação desse tipo de gente
já é um prenuncio de prejuízo aos legítimos interesses do Estado, pois quem “fatura”
através desse meio aproveitando a soberba do governante não está interessado no
desenvolvimento. Trata-se de um jogo de hipocrisia de um faz de conta. A
decadência da borracha amazônica se encaixa nessa realidade, nesse jogo de
interesses hipócritas. Ao se examinar as relações da produção e de troca que
definiam a economia regional e as forças que impediam toda e qualquer tentativa
de transformações de tais relações verifica-se uma realidade que conflita com o
enfoque apresentado por Warren Dean (Brazil and the Struggle for Rubber), estudioso
da questão da borracha amazônica, considerado e respeitado no Brasil e no
exterior. No estudo que Dean realizou sobre a borracha amazônica pondo em
destaque fatores biológicos e não o problema econômico e científico do cultivo
da borracha há uma distorção da realidade o que evita que se conheçam as
verdadeiras razões que impediram o cultivo da seringueira no seu habitat
natural. Dean implanta uma memória histórica que se afasta da verdade, o que é ruim
para o real conhecimento do processo histórico da borracha amazônica e da razão
de sua falência.

Dean
ficou focado apenas no fungo parasitário e desprezou a questão da oferta de
capital, a resistência dos seringueiros, a política governamental e, o
principal, a alternativa de cultivar a seringueira em áreas de escape ambiental
na Amazônia, onde só no Pará existem milhões de hectares, áreas idênticas as existentes
no Sudeste Asiático, onde os ingleses plantaram a seringueira amazônica e saíram
vitoriosos, esta a verdadeira causa que determinou a falência da atividade
gumífera na região amazônica. Dean estava convencido da impossibilidade de se
cultivar seringueira no Pará, para ele a região era infestada por um fungo parasitário que mata a seringueira,
ponto final. Essa conclusão equivocada encampada antes por especialistas levou
o governo brasileiro federal e estadual a admitir a total inviabilidade de se
cultivar a seringueira, decretando-se assim com essa atitude a morte da
atividade gumífera na região, o que resultou no plantio em outras regiões, como
São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e outras. O banco genético amazônico
foi à única coisa que não foi esquecido caracterizando-se um saque sutil que
dura até os nossos dias. Essa, em resumo, a verdadeira história da borracha e
de como ela, a borracha, célula de desenvolvimento, foi “garfada” graças à
ignorância de governantes, políticos e especialistas, procedimento que explica
o processo de estagnação que a Amazônia convive até os nossos dias. Soma-se a
essa questão basilar, determinante do colapso econômico amazônico, a questão do
capital estrangeiro e a influência externa. A comunidade mercantil amazônica
fracassou na tentativa de arrebatar das mãos das companhias estrangeiras o
controle da exportação o que resultou em efeitos prejudiciais à acumulação
local de capital. Acrescente-se ainda a esse fator as tentativas de transformar
a produção da borracha e pô-la em bases mais capitalistas, a luta interna dos
seringueiros e dos intermediários. A vastidão do ambiente natural da Amazônia, um
obstáculo que poderia ser superado caso se viesse a cultivar a seringueira em
áreas de escape ambiental com todas as suas inovações. Nesse cenário histórico vergonhoso
há que considerar o papel do Estado, tanto na esfera estadual como federal. Os
dois sempre com as costas viradas para a produção da borracha. Somado todos
esses fatores se identifica as verdadeiras causas da decadência da produção de
borracha amazônica, que se resume a total incompetência brasileira, privada e
pública, e explica a ausência do desenvolvimento.

A
diferença que existe entre o passado e o presente é que no passado o saque se
deu com apenas um produto florestal, a seringueira produtora de borracha, um
produto com extraordinária força econômica em razão da dependência da
industrialização do pneumático, do carro e do avião. No presente, se torna
impossível saquear e transferir a Amazônia para outras regiões, por razões
óbvias, daí a utilização de uma política ambiental que transfere o comando da
Amazônia para estrangeiros, estratégia apoiada por centenas de ONGs locadas na
região por esposa de um presidente brasileiro. Portanto, a história se repete
no presente, em razão da paralisia intelectual, visão estreita e interesses
ocultos. Se no passado deixamos de desenvolver a Amazônia e o Brasil com a borracha,
preferindo o café para esse objetivo, hoje se está obstaculizando o
desenvolvimento através de uma filosofia e modelo ambiental que tem com
finalidade conter investimentos privados e facilitar a transferência das
riquezas de forma sutil, dopando e comprando as resistências nacional e
regional. No primeiro momento vem à proibição de investir, no segundo momento
pousam os colonialistas para realizar o saque.
Nas condições atuais torna-se
impossível se investir na Amazônia com tantas exigências ambientais, custos
proibitivos e impostos e taxas proibitivas. A China não se desenvolveu
rapidamente adotando modelo ambiental com base no desenvolvimento sustentável,
uma enganação que esconde o saque; idem a Zona Franca de Manaus que prosperou e
transformou Manaus numa cidade mil vezes melhor que Belém, enquanto o resto do estado
do Amazonas continua pobre e estagnado por força da política ambiental. Por que
uma selva inóspita do sudeste asiático deu lugar a uma Malásia prospera?
Enquanto o homem viaja pelo espaço, enquanto a ciência sustenta países
desenvolvidos e ricos, ao amazônidas continuam no limbo civilizatório. Enquanto
nossas ‘brilhantes’ mentes políticas e administrativas querem salvar o planeta
através da Amazônia, Rússia, Coréia do Norte, China, Estados Unidos, Europa
gastam cada vez mais na produção de armamentos com capacidade de destruir a
civilização terráquea, pouco se importando com o meio ambiente que eles sujaram
e poluíram. Se a Terra está poluída cabe unicamente a essa plêiade de nações
desenvolvidas a missão de despoluí-las, e não a Amazônia, que comprovadamente
não tem nenhuma influência nesse pretenso clima poluído.

Informo
para efeito de provar a mentira ambiental que o registro histórico das concentrações
de dióxido de carbono atmosférico, usado pelo Grupo Intergovernamental sobre
Mudança Climática (IPCC) como justificativa para a redução de gás estufa, é uma
fraude. A pesquisa feita por um professor da Alemanha, Ernst-Georg Beck da
Escola Merian de Freiburg, mostra que o IPCC manipulou e fabricou os dados do
registro pré-1957 de CO2 a partir de medições de amostras de gelo recentemente
perfuradas, ignorando mais de 90.000 medições diretas com métodos químicos de
1857 a 1957. O trabalho de Beck confirma valiosas investigações anteriores que
demonstram que o IPCC escolheu a dedo seus dados numa tentativa de provar que
devemos parar o desenvolvimento industrial e voltar à época das carruagens a
cavalo, ou enfrentar o calor opressivo e o derretimento das calotas polares.
No Brasil, dos ignorantes e dos
endocolonialistas e das lideranças vendidas ao aparato internacional
ambientalista e indigenista, opta-se em manter uma floresta intocável em vez de
utilizar a floresta para o desenvolvimento. Triste sina o do amazônida de não
poder contar com suas riquezas sempre manipuladas para atender o saque que vem
ajudando a enriquecer permanentemente países ricos, colonialistas e a elite
política brasileira vermelha e cor de rosa.
Armando Soares – economista
e-mail: teixeira.soares@uol.com.br
Soares é articulista de LIBERTATUM
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