quinta-feira, 14 de janeiro de 2016



A história se repete

Por Armando Soares

Por trás do truísmo superficial de que “a história se repete” ocultam-se forças inexploradas que seduzem os homens a repetir seus mesmos e trágicos erros... O neurótico que toda vez comete o mesmo tipo de erro e toda vez espera safar-se não é estúpido, é apenas doente. Alguns pensadores não aceitam a ideia de que a história se repete. Entretanto, a maneira de pensar e de atuar de políticos e administradores públicos no presente, quando abraçam o poder ficam de tal forma inebriados, doentes que os levam a cometer os mesmos erros de seus iguais no passado impedindo o avanço econômico de determinada região e país.

                Os acontecimentos que determinaram o colapso da atividade econômica da borracha amazônica no período compreendido entre 1850 e 1920, se assemelha ao que ocorre hoje em nossos dias com o desenvolvimento obstaculizado pela política ambiental. Há uma constante no comportamento e modo de pensar de quem assume o poder, ou seja, quem assume o poder se considera o mais inteligente e preparado de todos os seres humanos, postura que facilita a penetração de áulicos, de interesseiros para tirar vantagens. Governantes suscetíveis à manipulação desse tipo de gente já é um prenuncio de prejuízo aos legítimos interesses do Estado, pois quem “fatura” através desse meio aproveitando a soberba do governante não está interessado no desenvolvimento. Trata-se de um jogo de hipocrisia de um faz de conta. A decadência da borracha amazônica se encaixa nessa realidade, nesse jogo de interesses hipócritas. Ao se examinar as relações da produção e de troca que definiam a economia regional e as forças que impediam toda e qualquer tentativa de transformações de tais relações verifica-se uma realidade que conflita com o enfoque apresentado por Warren Dean (Brazil and the Struggle for Rubber), estudioso da questão da borracha amazônica, considerado e respeitado no Brasil e no exterior. No estudo que Dean realizou sobre a borracha amazônica pondo em destaque fatores biológicos e não o problema econômico e científico do cultivo da borracha há uma distorção da realidade o que evita que se conheçam as verdadeiras razões que impediram o cultivo da seringueira no seu habitat natural. Dean implanta uma memória histórica que se afasta da verdade, o que é ruim para o real conhecimento do processo histórico da borracha amazônica e da razão de sua falência.



                Dean ficou focado apenas no fungo parasitário e desprezou a questão da oferta de capital, a resistência dos seringueiros, a política governamental e, o principal, a alternativa de cultivar a seringueira em áreas de escape ambiental na Amazônia, onde só no Pará existem milhões de hectares, áreas idênticas as existentes no Sudeste Asiático, onde os ingleses plantaram a seringueira amazônica e saíram vitoriosos, esta a verdadeira causa que determinou a falência da atividade gumífera na região amazônica. Dean estava convencido da impossibilidade de se cultivar seringueira no Pará, para ele a região era infestada por um fungo parasitário que mata a seringueira, ponto final. Essa conclusão equivocada encampada antes por especialistas levou o governo brasileiro federal e estadual a admitir a total inviabilidade de se cultivar a seringueira, decretando-se assim com essa atitude a morte da atividade gumífera na região, o que resultou no plantio em outras regiões, como São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e outras. O banco genético amazônico foi à única coisa que não foi esquecido caracterizando-se um saque sutil que dura até os nossos dias. Essa, em resumo, a verdadeira história da borracha e de como ela, a borracha, célula de desenvolvimento, foi “garfada” graças à ignorância de governantes, políticos e especialistas, procedimento que explica o processo de estagnação que a Amazônia convive até os nossos dias. Soma-se a essa questão basilar, determinante do colapso econômico amazônico, a questão do capital estrangeiro e a influência externa. A comunidade mercantil amazônica fracassou na tentativa de arrebatar das mãos das companhias estrangeiras o controle da exportação o que resultou em efeitos prejudiciais à acumulação local de capital. Acrescente-se ainda a esse fator as tentativas de transformar a produção da borracha e pô-la em bases mais capitalistas, a luta interna dos seringueiros e dos intermediários. A vastidão do ambiente natural da Amazônia, um obstáculo que poderia ser superado caso se viesse a cultivar a seringueira em áreas de escape ambiental com todas as suas inovações. Nesse cenário histórico vergonhoso há que considerar o papel do Estado, tanto na esfera estadual como federal. Os dois sempre com as costas viradas para a produção da borracha. Somado todos esses fatores se identifica as verdadeiras causas da decadência da produção de borracha amazônica, que se resume a total incompetência brasileira, privada e pública, e explica a ausência do desenvolvimento.

                A diferença que existe entre o passado e o presente é que no passado o saque se deu com apenas um produto florestal, a seringueira produtora de borracha, um produto com extraordinária força econômica em razão da dependência da industrialização do pneumático, do carro e do avião. No presente, se torna impossível saquear e transferir a Amazônia para outras regiões, por razões óbvias, daí a utilização de uma política ambiental que transfere o comando da Amazônia para estrangeiros, estratégia apoiada por centenas de ONGs locadas na região por esposa de um presidente brasileiro. Portanto, a história se repete no presente, em razão da paralisia intelectual, visão estreita e interesses ocultos. Se no passado deixamos de desenvolver a Amazônia e o Brasil com a borracha, preferindo o café para esse objetivo, hoje se está obstaculizando o desenvolvimento através de uma filosofia e modelo ambiental que tem com finalidade conter investimentos privados e facilitar a transferência das riquezas de forma sutil, dopando e comprando as resistências nacional e regional. No primeiro momento vem à proibição de investir, no segundo momento pousam os colonialistas para realizar o saque.

Nas condições atuais torna-se impossível se investir na Amazônia com tantas exigências ambientais, custos proibitivos e impostos e taxas proibitivas. A China não se desenvolveu rapidamente adotando modelo ambiental com base no desenvolvimento sustentável, uma enganação que esconde o saque; idem a Zona Franca de Manaus que prosperou e transformou Manaus numa cidade mil vezes melhor que Belém, enquanto o resto do estado do Amazonas continua pobre e estagnado por força da política ambiental. Por que uma selva inóspita do sudeste asiático deu lugar a uma Malásia prospera? Enquanto o homem viaja pelo espaço, enquanto a ciência sustenta países desenvolvidos e ricos, ao amazônidas continuam no limbo civilizatório. Enquanto nossas ‘brilhantes’ mentes políticas e administrativas querem salvar o planeta através da Amazônia, Rússia, Coréia do Norte, China, Estados Unidos, Europa gastam cada vez mais na produção de armamentos com capacidade de destruir a civilização terráquea, pouco se importando com o meio ambiente que eles sujaram e poluíram. Se a Terra está poluída cabe unicamente a essa plêiade de nações desenvolvidas a missão de despoluí-las, e não a Amazônia, que comprovadamente não tem nenhuma influência nesse pretenso clima poluído.
          Informo para efeito de provar a mentira ambiental que o registro histórico das concentrações de dióxido de carbono atmosférico, usado pelo Grupo Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) como justificativa para a redução de gás estufa, é uma fraude. A pesquisa feita por um professor da Alemanha, Ernst-Georg Beck da Escola Merian de Freiburg, mostra que o IPCC manipulou e fabricou os dados do registro pré-1957 de CO2 a partir de medições de amostras de gelo recentemente perfuradas, ignorando mais de 90.000 medições diretas com métodos químicos de 1857 a 1957. O trabalho de Beck confirma valiosas investigações anteriores que demonstram que o IPCC escolheu a dedo seus dados numa tentativa de provar que devemos parar o desenvolvimento industrial e voltar à época das carruagens a cavalo, ou enfrentar o calor opressivo e o derretimento das calotas polares.

No Brasil, dos ignorantes e dos endocolonialistas e das lideranças vendidas ao aparato internacional ambientalista e indigenista, opta-se em manter uma floresta intocável em vez de utilizar a floresta para o desenvolvimento. Triste sina o do amazônida de não poder contar com suas riquezas sempre manipuladas para atender o saque que vem ajudando a enriquecer permanentemente países ricos, colonialistas e a elite política brasileira vermelha e cor de rosa.

Armando Soares – economista

e-mail: teixeira.soares@uol.com.br

Soares é articulista de LIBERTATUM

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