A inveja do dinheiro: "Ganho mal por causa do capitalismo". Dedicado aos cientistas humanos.
Grande parte dos esquerdistas que estudam ciências humanas têm inveja dos médicos e engenheiros que ganham bem. Ao serem desvalorizados pelo capitalismo, passam a odiá-lo, culpando o "sistema opressor" pelos seus fracassos financeiros.
Um dos maiores problemas da sociedade atual é a vitimização compulsória e a fuga das responsabilidades individuais pelo seus respectivos progressos pessoais. Ao culpar a "sociedade", o "sistema" ou o "machismo", o fracassado exime-se de sua preguiça, atirando-a para a coletividade. No best-seller "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota", Olavo de Carvalho discorre sobre o sentimento de inveja, tão proeminente nos esquerdistas. Para o filósofo, uma das fontes do vigor revolucionário é desejar o que não se tem. E é a mais pura verdade.
Sem dúvida nenhuma, a maior proporção de esquerdistas por metro quadrado é nos cursos superiores de humanas, ambiente a qual frequento há muitos anos. Entre a história, a geografia, a filosofia, as letras e as ciências sociais há um sentimento em comum: a inveja das ciências que dão dinheiro. Não é raro encontrar gente balbuciando nos corredores: "Deveria ter feito engenharia, viu!" ou "Não sei por que um médico ganha bem e um geógrafo não..."
É fato que o mercado paga mal às ciências humanas. Eu mesmo ganho um salário de merda, que apenas permite me manter vivo. Isso é um fato consumado, e até aí nenhum problema porque EU escolhi fazer humanas ciente dos problemas que encontraria. O problema é que as pessoas culpam o capitalismo por isso! Sim, o capitalismo! Para muitos esquerdistas de boutique, o salário é baixo porque o capitalismo é malvado e não lhes paga o que merecem.
"Poxa, estudei tanto e ganho tão mal!" "Cara, já ouviu falar em utilidade marginal?"
Esse pensamento revela um total desconhecimento das dinâmicas de mercado e da escola austríaca de economia. Falta dizer-lhes que seus salários são baixos porque os consumidores não estão dispostos pagar mais pelos seus serviços e/ou sua mão de obra é abundante. Se minha mãe precisasse fazer uma operação de emergência, eu venderia minha casa para pagar um médico. Mas se minha mãe precisasse de um historiador, eu jamais faria isso. Entendem a diferença?
Além disso, se não fosse o sistema capitalista, não existiria sequer ciência, e muito menos cientistas humanos. Se não fosse o livre mercado, provavelmente 98% da população estaria plantando batata e feijão. Ou será que haveria espaço para bolsistas da Fapesp com "pensamento crítico" em Cuba?
"Já que ganho mal e o mercado capitalista não me quer, vou tocar o terror!"
Na Universidade de São Paulo, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) é um barracão acadêmico: sujeira, maconha rolando à solta, faixas pró-aborto e pró-Cuba, pichações nas paredes e nos vidros, cadeiras e sofás rasgados, e cantina de contêiner. Ora, como vocês querem que suas respectivas ciências sejam bem vistas no mercado se vocês mesmo são bichos-grilo insuportáveis que passam o dia inteiro criticando o capitalismo? E essa maconha que financia os traficantes do morro, hein, barbudão!?
Leitores, vou desabafar: adoro minha profissão, mas fico muito envergonhado de ter que dividi-la com arruaceiros esquerdistas. Esse aí é o triste Prédio de Geografia e História da USP.
Suspeito fortemente que lá no fundo, no interior de suas mentes revolucionárias, reside uma inveja não declarada dos engenheiros da Politécnica (POLI) - engomadinhos de camisa social, que ganham R$20.000 por mês! Ao ser privado de um alto salário, muitos cientistas humanos criam um reduto hippie para si, tentando fugir do sistema de mercado que não os valoriza. "Já que o capitalismo me paga mal, então ele não presta!"
Observo que o verdadeiro pobre não culpa o capitalismo. Pobre que é pobre quer luxo, diversão e bens materiais, como qualquer reles mortal, e é por isso que não dediquei o texto a eles. O Classe C/D almeja colocar um reboco em sua casa, descer para a Praia Grande no final de semana e fazer rolezinho com boné de 200 reais. Pseudointelectuais das ciências humanas, qual é o problema disso?
Semana que vem tem outro post sobre inveja! Até lá!
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