domingo, 5 de abril de 2015

Frase do dia

É estranhamente absurdo supor que 1 milhão de seres humanos, tomados juntos, não estão sob as mesmas leis morais que se ligam a cada um deles separadamente. Thomas Jefferson

Sobre o autor

João Luiz Mauad
Administrador de Empresas e Diretor do Instituto Liberal
João Luiz Mauad é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O Globo, Zero Hora e Gazeta do Povo.

sábado, 4 de abril de 2015

O Publicano


“Eu sou a favor de cortar impostos em qualquer circunstância e por qualquer desculpa, por qualquer motivo, sempre que possível. … o grande problema não são os impostos, o grande problema é o gasto. Acredito que nosso governo é muito grande e intrusivo, que não razoável darmos cerca de 40% do nosso rendimento para o governo gastar… Como podemos reduzir o tamanho do governo? Eu acredito que há apenas um caminho, o mesmo que os pais responsáveis usam para controlar as crianças perdulárias: cortar a sua mesada. Para o governo, isso significa o corte de impostos”.  Milton Friedman

A performance de Joaquim Levy no ministério da fazenda seria capaz de envergonhar a maioria dos Scholars da Universidade de Chicago, onde o indigitado cursou a sua pós graduação em economia.  Considerada um centro avançado de difusão do liberalismo econômico e, principalmente, do livre mercado, as lições econômicas ouvidas e estudadas por Levy em Chicago vão certamente no sentido diametralmente oposto ao da maioria das desastradas medidas até aqui propostas por ele.

Quando assumiu o posto de ministro, Levy chegou a ser apelidado pela imprensa de “Joaquim Mãos de Tesoura”, pois acreditava-se que o ajuste fiscal seria feito através de cortes de despesas, e não via aumento de impostos, até porque existia quase um consenso no país de que a carga tributária tupiniquim já se encontrava muito além do razoável.  Mas, contra todas as expectativas, as “mãos de tesoura” revelaram-se apenas mais uma fraude petista, e Levy, contrariando os princípios da Escola de Chicago, optou por ser “Joaquim, o Publicano”.

O jornal O Globo publicou nesta sexta-feira uma matéria em que mostra que dois terços do ajuste fiscal proposto até agora por Levy são baseados em aumento de impostos, e somente um terço em cortes de gastos.  Segundo o economista Mansueto Almeida, especialista em contas públicas, as principais medidas para aumentar tributos somam até agora R$ 31,5 bilhões, enquanto os cortes de gastos devem gerar economia de apenas R$ 19 bilhões neste ano.

Como se pode ver, infelizmente para o país, Levy enveredou pelo caminho mais fácil e optou por aumentar mais ainda os impostos sobre os ombros da já combalida sociedade brasileira, dando razão, mais uma vez, ao mestre Friedman, que disse certa vez, com muita propriedade: “a solução do governo para um problema é geralmente tão ruim quanto o problema, e muitas vezes torna o problema mais grave”.

De fato, a solução de curto prazo encontrada por Levy terá efeitos devastadores sobre a economia no longo prazo, afinal, como ensinou Ronald Reagan, o aumento na arrecadação de impostos sempre acabará gerando novas despesas, alimentando um círculo vicioso que levará o país à ruína.
Minha esperança é que, como Zaqueu, Levy se arrependa enquanto há tempo…


Sobre o autor

João Luiz Mauad
Administrador de Empresas e Diretor do Instituto Liberal
João Luiz Mauad é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O Globo, Zero Hora e Gazeta do Povo.
Matéria extraída do website do Instituto Liberal

Jesus Alegria dos Homens - J. S. Bach





Para mim, em musica, a perfeita representação da vitória da Luz sobre as trevas:
Jesus, alegria dos homens - de J.S. Bach. Coral São Luis Gonzaga, Grupo Acorda Vocal, e Orquestra de Câmara Só Arte. Regência William Corrêa de Oliveira. 

Os Golias de ontem, acuados pelos espectros das próprias mentiras, mistificações, bazófias e degradação moral, vivem um pesadelo antes mesmo de que a noite sobre eles caia.

Quem poderia imaginar, há uns poucos anos, algo semelhante ao que está acontecendo no Brasil? Quem poderia antever tanta efervescência política fora dos parlamentos? Quem poderia conceber tantos Davis nas ruas, renegando o que os Golias proclamavam? Pergunto: não parecia irresistível a marcha para a construção de um Brasil socialista, economicamente próspero, socialmente justo, moralmente repaginado e irresistivelmente petista? Seus apoios eram gigantescos na mídia, na esmagadora maioria parlamentar, na CNBB, no movimento sindical. Contavam com a dedicada militância de artistas, celebridades, intelectuais. Funcionava para eles o conjunto das instituições de ensino. De catedráticos a alfabetizadores, quase todos trabalhavam pela mesma causa. Quem poderia imaginar, então, o que está acontecendo?
Mérito, muito mérito para os poucos que, com o poder da palavra e a força das ideias propagadas nas redes sociais, perceberam onde se travaria o confronto decisivo. E partiram para o confronto no campo da cultura. Nesse terreno, deu a lógica. Quem era Davi virou Golias. E quem era Golias virou Davi. Quero homenagear a esses bravos intelectuais da contra-corrente na pessoa do Olavo de Carvalho que de modo sistemático, desde seu retiro na Virgínia, ensinou e ensina milhares de jovens a pensar, qualificando líderes para o enfrentamento que agora se trava diante de nossos olhos. Os Golias de ontem, acuados pelos espectros das próprias mentiras, mistificações, bazófias e degradação moral, vivem um pesadelo antes mesmo de que a noite sobre eles caia.
Eu creio em Deus. E sei que é tempo de Pessach, de Páscoa. Nada melhor, para quem tem dedicações cívicas, do que fazer destes dias tão especiais do ano litúrgico tempo de oração pelo bem do Brasil. Feliz Páscoa! É tempo de libertação, Brasil!

Sobre a redução da maioridade penal

por THIAGO PINHEIRO*

maioridadepenalA diferença de opiniões sobre a maioridade penal não começa na questão da idade, mas, sim, no papel da prisão.
Muitos entendem que o encarceramento deve envolver alguma forma de educação, seja formal, seja profissional. Ou seja, o preso não deve apenas ser punido, mas, também, readaptado a viver em sociedade. Não é exagero dizer que essa corrente de pensamento deriva da ideia de que o meio transforma os maus em bons. Com isso, o criminoso, muitas vezes, acaba sendo vítima das circunstâncias e obrigado a praticar um crime.

Por outro lado, há a ideia de que a cadeia seja apenas uma punição para aqueles que, seja lá qual for o motivo, pratiquem um crime. A simples ideia de perder a liberdade deveria bastar para afastar qualquer um do crime.

Se eu fosse concordar que o meio transforma inteiramente as pessoas, a cidade seria ainda mais perigosa do que já é. O problema se dá quando não há mais alternativa. A população, governo após governo, concedeu cada vez mais poderes aos governantes de forma que eles pudessem resolver todos os problemas causados pelos seus antecessores.

O resultado dessa loucura são governos inchados e corruptos, incapazes de realizar de forma minimamente decente quaisquer obrigações que eles inventem. Para piorar, com a concessão de poder ao governante, estes se tornaram cidadãos de primeira classe*, com privilégios inimagináveis e sustentados pela maioria da população que jamais sonhará em desfrutar conforto parecido.
Esse cenário de imoralidade tira qualquer percepção de Justiça por parte da população, ajudando a semear o clima de anarquia que vemos em diversas regiões do país. Fora, claro, que impede o surgimento de riqueza, relegando à miséria boa parte dos brasileiros.

Se o que possibilita a ascensão social é, principalmente, o empreendedorismo, e se, em um país corrupto, claramente anti-livre iniciativa, é altamente improvável ser bem sucedido sendo dono do próprio negócio, seja através de uma barraquinha ou algo maior; é bem óbvio que um miserável permaneça miserável, podendo melhorar levemente de vida através das esmolas governamentais.
Antes que me crucifiquem, um adendo: é claro que a educação ajuda a melhorar a vida das pessoas. Mas se todos só estudarem para serem funcionários, vão trabalhar na empresa de quem? O estudo ajuda, mas não é tudo. Alguns certamente serão prósperos através de um curso superior, mas a raiz do problema passa por CNPJs – e a necessidade deles.

Obviamente, não falo de cientistas e professores, por favor. A observação se dá no plano geral.
Assim, podemos jogar a maioridade penal para os 12 anos, 3 meses e 4 dias que vai mudar muito pouco. Os bandidinhos que estão só esperando o sinal da saída do colégio municipal aqui perto para roubar todos que encontram no caminho não se importam com nada disso. Eles não têm alternativa. Talvez alguns possam vir a temer a prisão, mas a melhora deverá ser residual. E, se houver, só vai promover a geração mais nova à linha de frente.

Entretanto, isso não me faz ficar contrário à redução da maioridade penal. Em tempo, eu sou contra a própria existência dela. Qualquer um, em qualquer idade, deveria responder e pagar pelos seus atos perante um juiz que decidiria se há condições de julgamento.

O Brasil é um país caótico que vai resolvendo os problemas à medida que eles vão aparecendo. Reducionista, acredita que eles não estão interligados. Com isso, só vamos aumentando as nossas leis e a situação só piora.

Vai chegar um dia que não teremos mais leis para criar. Quando isso acontecer, passaremos a depender de permissões.


*Thiago Pinheiro é jornalista, DJ e escreve sobre o Botafogo no Globoesporte.com.



Sobre o autor

Instituto Liberal
Instituição sem fins lucrativos
O Instituto Liberal é uma instituição sem fins lucrativos voltada para a pesquisa, produção e divulgação de idéias, teorias e conceitos que revelam as vantagens de uma sociedade organizada com base em uma ordem liberal.
Matéria extraída do website do Instituto Liberal
“O indivíduo, como diz Worms, não existe para tornar feliz o Estado e muito menos quem o representa como função diretora; o Estado é que existe para tornar feliz o indivíduo.
Luís Loff de Vasconcelos, empreendedor e intelectual cabo-verdiano, 1861-1923.    

Adam Smith, já em 1755, vinte e um anos antes da publicação do seu magnum opus, recortara, com nitidez, as três condições essenciais do desenvolvimento humano: impostos leves, paz social e uma boa administração da justiça.
O resto é meramente ancilar, pensava o professor de filosofia moral e pai da moderna ciência econômica.
Ao contrário das ideias estapafúrdias de Karl Marx, Smith desde cedo percebeu que há uma “mão invisível” capaz de, pelo milagre da colaboração espontânea e num círculo virtuoso, engendrar a prosperidade geral e o aumento da riqueza nacional.
A liberdade de iniciativa é a pedra de toque do sistema, que salvou a populaça da miséria e provocou a maior mudança sociopolítica desde o Neolítico.
A intervenção estatal deve limitar-se, neste contexto, ao estritamente necessário, garantindo o “fair play”, a lealdade e as regras justas do mercado.
Porque os homens não são anjos, como explicou, mais ou menos na mesma época histórica, um James Madison, no número 10 dos célebres Federalist Papers.
Só os marxistas e os profetas anarquistas é que defendem, como sabemos, a abolição do Estado.
O Estado, para os liberais, tem a nobre função de proteger os mais fracos, manter a ordem pública, espalhar as luzes da instrução e garantir os direitos naturais das pessoas (“These rights which a man has to preservation of his body and reputation from injury are called natural. Or as the civilians express them iura hominum naturalia”, como escreveu, entre outras coisas, Adam Smith).
Este ponto decisivo é, todavia, frequentemente esquecido por certos papagaios, que desdenham, com ares de superioridade, o suposto “neoliberalismo selvagem”, autêntico monstro do lago Ness.
Trata-se de um absurdo e de uma caricatura política grotesca que só existe na cabecinha oca de ignorantes e mal-intencionados.
As ideias do notável pensador escocês merecem um estudo atento e uma análise filosófica apurada, longe daqueles preconceitos de vão de escada da esquerda atávica e ressentida. A causa profunda do subdesenvolvimento, aliás.
O desenvolvimento social e o crescimento econômico não têm a ver apenas com o “capital”, as técnicas de gestão e os consabidos “fatores de produção”, etc., etc..
Os tecnocratas só falam do PIB e dos cálculos econométricos. E pensam que é tudo!
Mas o desenvolvimento é, acima de tudo, um problema ético e, como salientou Amartya Sen, esse John Locke da Índia, um “tremendo compromisso com as liberdades”.
É este o cerne da questão. Há ideias que só geram pobreza e estagnação.
Cuba fracassou desde 1959. Porquê? Por causa do “embargo” norte-americano? Porque não possui bons técnicos e economistas?
Não, porque apostou, subscrevendo o arrazoado tolo do socialismo “científico”, num regime político tirânico que sufoca a liberdade e não permite o livre desabrochar da criatividade individual.
Os países mais ricos, da Singapura à Nova Zelândia, são invariavelmente os mais livres.
São aqueles países que confiam na confiança.
Esta é a grande verdade que 300 anos de história econômica revelam à maravilha. Para quem queira ver, decerto.
No próximo artigo, com Alain Peyrefitte, descobriremos mais alguns segredos da ética econômica.
Tal como Hegel argutamente observou, é no crepúsculo que o mocho de Minerva empreende o seu majestoso voo…


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Matéria extraída do website do Mídia Sem Máscara

sexta-feira, 3 de abril de 2015


(Nota do Editor da FEEComo uma organização não afiliada a nenhuma fé em particular, a FEE (Foundation for Economic Education) encoraja outras perspectivas em tais matérias. O Sr Reed deseja que os leitores entendam que sua perspectiva pessoal não tem intenção de fazer proselitismo para nenhuma fé ou igreja em particular, mas simplesmente iluminar sua interpretação da dimensão moral e econômica de Cristo.)

Você não precisa ser cristão para ser sensível à falsidade deste boato. Você pode ser uma pessoa de qualquer fé, ou de nenhuma fé afinal. Você só precisa ser sensível aos fatos.
Eu ouvi algo semelhante a este clichê cerca quarenta anos atrás. Como cristão, fiquei perplexo. Na visão de Cristo, a decisão mais importante que uma pessoa tomaria em sua vida terrena era aceitá-lo ou rejeitá-lo pelo que Ele afirmou ser – Deus encarnado e o Salvador da humanidade. Esta decisão era claramente uma decisão muito pessoal – uma escolha individual e voluntária. Ele constantemente enfatizou a renovação interior, espiritual, como muito mais decisiva que o bem estar material. Pensei: “Como Cristo poderia defender o uso da força para tomar coisas de alguns e dá-las a outros?” Eu simplesmente não conseguia imaginá-lo apoiando uma sentença de multa ou prisão para pessoas que não quisessem entregar seu dinheiro para programas de “bolsa família”.
“Espere um momento”, você diz. “Ele não respondeu: 'Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus' quando os fariseus tentaram pegá-lo no truque de denunciar os impostos romanos?” Sim, de fato, Ele disse isto. Pode ser encontrado no Evangelho em Mateus, capítulo 22, versículos 15 a 22 e depois em Marcos, Capítulo 12, versículos 13 a 17. Mas note que tudo depende somente do que pertenceria a César e do que não, o que é atualmente, mais propriamente, um endosso do direito de propriedade. Cristo não disse nada como “isto pertence a César se César simplesmente disser que pertence, não importa quanto ele queira, como ele pega ou como ele escolha gastá-lo”.
O fato é que alguém pode passar um pente fino nas Escrituras, e não encontrará uma palavra sequer de Cristo endossando a redistribuição forçada de riqueza por autoridades políticas. Uma sentença sequer.
“Mas Cristo não disse que veio confirmar a lei?” Você pergunta. Sim, em Mateus 5:17-20, Ele declara, “Não pensem que Eu vim para abolir a lei dos Profetas. Não vim para aboli-los, mas para levá-los à perfeição”. Em Lucas 24:44, Ele esclarece quando diz “... Isto é o que vos dizia quando ainda estava convosco: era necessário que se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos”.Ele não estava dizendo: “Qualquer lei que o governo aprove, Eu apoio”. Ele estava falando especificamente da Lei de Moisés (primeiramente os Dez Mandamentos) e das profecias de Sua vinda.
Considere o oitavo dos Dez Mandamentos: “Não roubarás”. Observe o período após a palavra “roubarás”. Esta admonição não é lida como “Não roubarás a menos que a outra pessoa tenha mais que você”, ou “Não roubarás a menos que você esteja absolutamente certo de poder gastar melhor que a pessoa de quem você roubou”. Nem se diz “Não roubarás mas tudo bem se empregar alguém, como um político, para fazer isso por você”.
No caso das pessoas ainda estarem tentadas a roubar, o décimo mandamento corta o mal pela raiz num dos principais motivos para o roubo (e para redistribuição): “Não cobiçarás a casa de teu próximo, não cobiçarás a mulher de teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma de teu próximo”. Em outras palavras: se não é seu, mantenha suas mãos longe.
Em Lucas 12:13-15, Cristo é confrontado com uma solicitação de redistribuição. Um homem com uma queixa aproxima-se Dele e reclama: “Mestre, fale com meu irmão e faça-o dividir sua herança comigo”. O Filho de Deus, o mesmo Homem que realizou curas milagrosas e acalmou as ondas, respondeu deste modo: “Homem, quem fez de mim juiz ou árbitro entre vós? Tenha cuidado e abstenha-se de controvérsias, a riqueza de um homem não consiste na abundância material que ele possui”. Uau! Ele poderia ter igualado a riqueza dos dois homens com um movimento de Suas mãos, mas em vez disso, Ele escolheu denunciar a inveja.
“E a respeito da parábola do bom samaritano? Ela não representa um exemplo de programa de bem estar governamental, senão diretamente de redistribuição?” você pergunta. A resposta é um enfático NÃO! Considere os detalhes da parábola, como descrita em Lucas 10:29-37: Um viajante encontra um homem caído às margens da estrada. O homem tinha sido surrado, roubado e deixado semimorto. O que o viajante fez? Ajudou o homem, ele próprio, no local, com seus próprios recursos. Ele não disse “escreva uma carta ao imperador” ou “vá procurar sua assistente social” e foi embora. Se ele tivesse feito isso, ele seria conhecido hoje como o “bom pra nada samaritano”, se ele fosse de fato lembrado.
E a respeito da referência, nos Atos dos Apóstolos, aos primeiros cristãos vendendo seus bens mundanos e compartilhando este procedimento comunitariamente? Isto soa como uma utopia socialista. Analisando de perto, entretanto, fica claro que aqueles cristãos não venderam tudo que tinham e não foram obrigados a fazer isso. Eles continuaram encontrando-se em suas próprias casas, por exemplo. Em seu capítulo de contribuição ao livro “For the Least of These: A Biblical Answer to Poverty” de 2014, Art Lindsey, do Institute for Faith, Work and Economics, escreve:
“Novamente, na passagem dos Atos dos Apóstolos, não há menção ao estado sob qualquer condição. Estes primeiros crentes contribuíram com seus bens livremente, sem coerção, voluntariamente. Alhures nas Escrituras nós vemos que os cristãos são instruídos a doar somente desta maneira, livremente, “Dê cada um conforme o impulso de seu coração, sem tristeza nem constrangimento. Deus ama o que dá com alegria” (2 Coríntios 9:7). Há abundância de indicação de que os direitos de propriedade ainda estavam valendo...”
Isto pode frustrar os socialistas a aprender que as palavras e feitos de Cristo, repetidamente sustentadas desta maneira criticamente importante, referem-se às virtudes do capitalismo como contrato, lucro e propriedade privada. Por exemplo, considere a “Parábola dos Talentos”. Dos muitos homens na estória, o único que pega o dinheiro e o enterra é repreendido, enquanto o que investiu e gerou maior retorno é aplaudido e recompensado.
Ainda que não seja central à estória, boas lições de oferta e demanda bem como a santidade do contrato, são evidentes em Cristo na “Parábola dos Trabalhadores na Vinícola”. Um proprietário de terras oferece salário para atrair trabalhadores para um dia de trabalho urgente na coleta de uvas. Próximo ao fim do dia, ele percebe que precisa rapidamente empregar mais gente, e oferece por uma hora de trabalho o que havia previamente oferecido pagar aos primeiros trabalhadores por um dia de serviço. Quando um dos que tinham trabalhado o dia todo queixou-se, o proprietário de terras respondeu: “eu não estou sendo injusto com você, amigo. Você não concordou em trabalhar por um denário? Pegue seu pagamento e vá. Eu quero dar ao que foi empregado por último o mesmo que dei a você. Eu não tenho o direito de fazer o que quero com meu dinheiro? Ou você está com inveja porque estou sendo generoso?”
A bem conhecida “Regra de Ouro” veio dos lábios do próprio Cristo, em Mateus 7:12. “Então em tudo, faça aos outros o que você gostaria que fizessem a você, porque esta é a lei dos profetas”. Em Mateus 19:18, Cristo diz: “... ame a teu próximo como a ti mesmo”. Em nenhuma outra parte Ele remotamente sugeriu que você repugnasse seu próximo por sua riqueza, ou que procurasse tomar a riqueza dele. Se você não deseja que sua propriedade seja confiscada (e muitas pessoas não desejam, e não precisariam de um ladrão à disposição para dividir com ele de maneira alguma), então claramente você não deveria querer confiscar a propriedade de outros.
A doutrina cristã adverte contra a ganância. Como o faz em nossos dias o economista Thomas Sowell: “eu nunca entendi porque é “ganância” possuir o dinheiro que você mereceu mas não é ganância querer tirar o dinheiro de outros”. Utilizar o poder do governo para roubar a propriedade de outra pessoa não é exatamente altruístico. Cristo nunca sugeriu que acumular riqueza através do comércio pacífico era de alguma forma errado. Ele simplesmente suplicou às pessoas que não permitissem que a riqueza os dominasse ou corrompesse seu caráter. Por isto seu grande Apóstolo, Paulo, não disse que o dinheiro era mal na famosa referência em 1Timóteo 6:10. Aqui vai o que Paulo verdadeiramente disse: “Porque a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro. Acossados pela cobiça, alguns se desviaram da fé e se enredaram em muitas aflições”. De fato, os próprios socialistas não abandonaram o dinheiro de modo abnegado, eles estão clamando é pelo dinheiro de outras pessoas, especialmente o dos “ricos”.
Em Mateus 19:23, Cristo diz: “Em verdade vos digo, é difícil para um rico entrar no Reino dos Céus”. Um socialista poderia dizer: “Eureka! Aqui está! Ele não gosta de pessoas ricas” e então distorce a observação depois de reconhecer a justificativa de qualquer esquema do tipo “roube Pedro para pagar Paulo” que põe a montanha abaixo. Mas este conselho é inteiramente consistente com tudo o que Cristo falou. Não é um convite pra invejar os ricos, para tomar dos ricos e dar celulares “grátis” aos pobres. É um conselho para o caráter. É uma observação de que muitas pessoas deixam-se dominar pela riqueza, tanto quanto por outros meios em torno. É um alerta contra tentações (as quais vêm de muitas formas, não só pela riqueza material). Todos nós já não notamos que entre os ricos, como igualmente entre os pobres, existem boas e más pessoas? Todos nós já não vimos celebridades corrompidas por sua fama e fortuna, enquanto outros, entre os ricos, levam vidas dignas? Todos nós já não temos visto pessoas que permitem que a pobreza as desmoralize e debilite, enquanto outros, entre os pobres, veem a pobreza como um incentivo para melhorar de vida?
Nos ensinamentos de Cristo e em muitas outras partes do Novo Testamento, os cristãos,e, na verdade, todas as pessoas, são aconselhadas a serem “espíritos generosos”, a cuidar da família de alguém, a ajudar os pobres, assistir as viúvas e os órfãos, a revelar bondade e manter altivez de caráter. Como tudo isso pode ser traduzido no negócio sujo de coerção, compra de votos, esquemas de redistribuição politicamente dirigidos é um problema para prevaricadores com agenda. Não é um problema para estudiosos do que a Bíblia verdadeiramente diz ou não diz.
Examine sua consciência. Considere as evidências. Seja atento aos fatos. E pergunte-se: “Desejando ajudar os pobres, Cristo preferiria doar livremente seu dinheiro ao Exército da Salvação (ou a qualquer outra instituição de caridade) ou na mira de uma de arma ao departamento de assistência social do governo?
Cristo não era estúpido. Ele não estava interessado em profissionais públicos da caridade, postura na qual os fariseus legalistas e hipócritas se engajavam. Ele repudiou essa conversa fiada interesseira. Ele sabia que ela era sempre fingida, raramente indicativa de como eles conduziam seus afazeres pessoais, e que era sempre um fim de linha com abundância de enganos e desilusões pelo caminho. Dificilmente faria sentido para Ele defender os pobres apoiando políticas que minam o processo de criação de riqueza necessário para ajudá-los. Numa análise final, Ele nunca endossaria um esquema que não funciona e é orientado pela inveja e pelo roubo. A despeito das tentativas dos socialistas modernos em transformá-lo num Robin Hood, Ele nunca foi desses.


Da Foundation for Economic Education. Original aqui.

Tradução: Flávio Ghetti
 Matéria extraída do website do Mídia Sem Máscara

Hebert von Karajan - Réquiem de Mozart: Lacrimosa




Pra mim o espírito musical da Sexta Feira Santa: do Réquiem de W. A. Mozart, Lacrimosa.

Filarmônica de Viena, Regência de Herbert von Karajan


Frase do dia

“Falsa é a ideia de utilidade que sacrifica mil vantagens reais por um inconveniente imaginário ou insignificante; Isso tiraria o fogo dos homens, porque queima, e a água, porque alguém pode se afogar nela. As leis que proíbem o porte de armas são leis dessa natureza. Elas desarmam apenas aqueles que não são inclinados nem determinados a cometer crimes. Pode-se supor que aqueles que têm a coragem de violar as leis mais sagradas da humanidade, os mais importantes códigos, respeitará os menos importantes e arbitrários, que podem ser violados com facilidade e impunidade? … Tais leis tornam as coisas piores para os agredidos e melhores para os agressores; Elas servem para incentivar mais do que para evitar homicídios, pois um homem desarmado pode ser atacado com maior confiança do que um homem armado. Essas leis não são preventivas, mas produzidas pela impressão tumultuada de alguns fatos isolados, e não por consideração pensativa dos inconvenientes e das vantagens de um decreto universal”.

Cesare Beccaria



Sobre o autor

João Luiz Mauad
Administrador de Empresas e Diretor do Instituto Liberal
João Luiz Mauad é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O Globo, Zero Hora e Gazeta do Povo.