Pelo GENERAL FERDINANDO DE CARVALHO
1976 - PRIMEIRA PARTE: A DOUTRINA
1. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES
Há muitos anos atrás, dominava em nosso Exército, como nas demais Forças Armadas em nosso País, uma preocupação tradicional: a defesa de nossas fronteiras, a inviolabilidade e a integridade de nosso território soberano, contra um ataque armado por inimigos ostensivos. Nosso adestramento militar voltava-se quase que exclusivamente para a eventualidade de uma agressão externa.
Mas, a partir de década de 30, começamos a perceber que essa concepção não era adequada à conjuntura. Sentimos que se definia, por dentro de nossas próprias fronteiras, com a cumplicidade de muitos brasileiros, desorientados por convicção ou ingenuidade, um inimigo ativo e tenaz, um inimigo a que não nos achávamos afeitos, utilizando concepções estratégicas e processos táticos que não conhecíamos antes. Pressentimos que esse inimigo seria capaz de invalidar nossa doutrina, de anular nossa preparação, de abalar o regime democrático de nosso país, destruir nossas instituições e, até mesmo, conquistar o poder, em submissão ao Comunismo Internacional.