Do site da Veja
Em sua coluna de hoje, Verissimo apela para a vitimização dos povos latino-americanos, que seriam eternamente explorados pelos malvados colonizadores. Traça um paralelo entre um debate dos tempos de Colombo e os dias atuais, sobre a seguinte questão: índio é gente ou não? Tudo isso apenas para chegar a Allende e reforçar a mensagem de que as tentativas de romper este ciclo perverso acabam em golpe dos exploradores:
Afinal, os miseráveis do hemisfério são gente ou não são gente? Os bons sentimentos cristãos de Las Casas impediram que a divisão entre saqueadores e saqueados no continente se aprofundasse ou só serviram para encobrir o abismo com o manto da caridade inútil, que só satisfaz o caridoso? Por que será que todas as tentativas de romper esta maldição no hemisfério acabam em golpe ou farsa, com os eventuais insurgentes fazendo o mesmo papel de bichos exóticos que os nativos faziam diante dos colonizadores do século 16?
Conforme o adágio, não existe pecado abaixo da linha do Equador. Henry Kissinger, sem saber, fez uma adaptação geopolítica da frase quando disse que ninguém faz história no sul do mundo. O que é outra maneira de duvidar que aqui haja gente, ou pelo menos gente consequente.Talvez por modéstia, não se lembrou de dizer que quando aparece um decidido a não ser mais escravo, como Allende no Chile, é rapidamente abatido.
Allende era alguém decidido a não ser mais escravo? Allende, na verdade, era filho da burguesia de classe alta disposto a escravizar seu povo, isso sim. Um socialista que flertava com o modelo cubano, e que chegou a namorar ideias nazistas de eugenia em sua juventude. Um pouco de história para Verissimo: