sexta-feira, 3 de abril de 2015

Propriedade e liberdade entre os antigos

Autor

Asd
Há um sofisticado e difícil ramo da história que estuda as origens e os desdobramentos da propriedade fundiária, ou seja, da senhoria sobre o solo. Por incrível que pareça, poucos historiadores investigam, hoje, o sistema de limitação do solo criado pelos romanos já desde a fundação. Têm ocupado a imaginação histórica, atualmente, apenas os dados seguros das fontes documentais escritas do Império (usualmente a partir da ditadura de Julio Cesar circa 44 d.C), transmitidos pelos escritos dos agrimensores romanos compilados por Lachmann (Gromatici veteres, 1848). Questões mais genéticas, ou seja, sobre a origem da demarcação de terras em Roma, costumam afugentar os historiadores em razão da escassez de fontes diretas.
E que dirá da história que precede a fundação de Roma, em 753 a.C, segundo a tradição? A arqueologia tem confirmado, quase que ponto por ponto, algumas lendas sobre essa fundação no séc. VIII a.C.. Roma parece mesmo ter se constituído como civitas nesse século, embora apenas gradualmente; restos da chamada muralha de Rômulo, que teria traçado um sulco a fim de demarcar os limites da cidade, entretanto, nos levam a pensar em algum tipo de ato fundacional. Antes disso, o território romano estava ocupado pelos ancestrais dos cidadãos romanos que, futuramente, comporiam o populus romanus (arc. poplos), uma espécie de estado em formação. Eram aglomerações de povos itálicos – latinos, sabinos, samnitas, umbros, oscos… – que se estabeleceram de modo permanente ali, nos montes Palatino e Capitolino, na colina Quirinal, junto ao Tibre, sempre em contato com seus vizinhos etruscos e gregos.
Já Tito Lívio dizia que, à época da fundação, as gentes originariae, em número de cem, estavam distribuídas em três tribus, Ramnes, Tities e Luceres (Ab urbe condita I, 13); e muitos autores respeitados sustentam que esses povos itálicos pré-fundacionais, organizados em famílias enormes (as gentes), já organizavam juridicamente o uso do solo.
O poder de distribuição da terra era difuso: ao invés de um senhor, imperava a comunidade de homens livres. Dado importante, para nós, é que todo homem livre – segundo as investigações genéticas de Max Weber, Auguste Meitzen e outros – tinha direito a uma medida de terra. As gentes exerciam a soberania em conjunto, comunitariamente, mas cada pai de família exercitava esse domínio cultivando o solo, seja pela agricultura, seja pelo pastoreio. À parte da porção de terra exclusiva, cujos sucessores herdavam, conquistavam espaços livres no campo e da cultura do solo tiravam o seu sustento.
Importante nesse modelo é o significado original do vocábulo latino fundus, que no português serve de origem, por exemplo, para o adjetivo fundiário e do substantivo latifúndio. Segundo Weber, fundus (que penso, segundo a ortografia que recua ao século V-VI a.C, proceder de fvndosfvndoi) não era, inicialmente, uma porção concreta de terra, e muito menos uma medida ou unidade de mensuração fundiária; era, ao inverso, um direito de participação na comunidade agrária (fundus > Genossenrecht) ao qual cada cidadão tinha direito em virtude apenas da sua condição livre.
Weber e Meitzen inspiraram-se no modelo de soberania e de afirmação da condição de liberdade civil das antigas comunidades germânicas. Mas temos também dados documentais inafastáveis do direito antigo. As leis mais vetustas do País de Gales previam que cada cidadão, simplesmente por fazer parte da nação livre, tinha como direitos alienáveis a liberdade – o de não ser feito escravo – e a propriedade. Além da possibilidade de herdar e receber terras por outros meios – inclusive como pagamento por atos de bravura e serviços prestados em benefício da nação –, era-lhe garantido uma porção de 5 erws (um erw equivalia aproximadamente a 6.561 pés quadrados segundo os costumes do sul do país) de terra arável nos territórios nacionais. Se estivesse desprovido de terra, o cidadão recorria ao senhor da terra e declarava sua condição de homem livre e de sangue galês; provada a sua condição, era investido na posse da porção correspondente e a demarcava conforme os usus e costumes da região.
Esse breve comentário sobre antiquíssimos sistemas jurídicos e modelos de "apropriação" da terra são exemplos curiosos – e pouco estudados – da forte relação entre liberdade e propriedade.
 Matéria extraída do website do Instituto Ordem Livre
LIBERTATUM recebeu do amigo Dr.Leônidas Loureiro o texto abaixo.  

A DILMA NÃO RENUNCIOU! O LULA E SUA QUADRILHA AINDA NÃO FORAM PRESOS! OS PIZZAOLOS DO PLANALTO ESTÃO PREPARANDO UMA GRANDE PIZZA! OS NOSSOS IMPOSTOS CONTINUAM SENDO DESVIADOS PARA OBRAS EM OUTROS PAÍSES! 



OS PRESOS DO PETROLÃO AINDA PODEM ESCAPAR DE PENAS DURAS GRAÇAS A CONIVÊNCIA DE MINISTROS LIGADOS AO PT! O LÍDER DO MST CONTINUA A DESAFIAR A SOCIEDADE BRASILEIRA! AS FABs AINDA NÃO SE MANIFESTARAM! E O POVO PAROU DE PROTESTAR PARA COMPRAR OVOS DE PÁSCOA! ENTÃO EU PERGUNTO: - PORQUE PAROU? PAROU PORQUE?


NÃO PODEMOS PARAR ESSA LOCOMOTIVA CHAMADA "INTERVENÇÃO MILITAR"... POIS SE NADA ACONTECER, SE NADA FOR FEITO AINDA ESTE ANO, VIVEREMOS UM FUTURO NEGRO (E VERMELHO) E QUE DIFICILMENTE CONSEGUIREMOS REVERTER!


NÃO PAREM! NÃO RELAXEM! TEM QUE SER AGORA, TEM QUE SER HOJE, POIS AMANHÃ PODE SER TARDE DEMAIS! TALVEZ NEM TENHAMOS MAIS AMANHÃ!


INTERVENÇÃO MILITAR URGENTE! VAMOS P'RÁS RUAS AGORA, LEVEM O COELHINHO DA PÁSCOA JUNTO, MAS NÃO PAREM AGORA!
Foto de Jean Luiz de Tarso.
Leônidas Loureiro
 Saúde $ Paz

(91) 999856043/996418072/30310555

Decisões judiciais e a Saúde Privada

saúde privada
“Não existe almoço grátis.”
Milton Friedman

De acordo com o artigo 196 da Constituição Federal: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. Não se nega a importância da saúde, mas a Constituição Federal dispõe, expressamente, que “a saúde (…) é um dever do Estado”. Todavia, tinta e papel não moldam nem criam as realidades socioeconômicas de um país.

Em razão disso, vemos, todos os dias, o caos da Saúde Pública brasileira. O Estado, apesar da vultosa arrecadação, deixa a saúde muito aquém do que deveria ser. Qual é a consequência direta disso? Parte considerável da população precisa recorrer à Saúde Privada, e, principalmente, aos Planos de Saúde – não há escapatória.

Todavia, isso não é razão para que a Saúde Privada faça às vezes de uma obrigação constitucional atribuída ao Estado brasileiro. Empresas privadas pagam impostos, e, obrigar que – além disso – elas assumam funções que são obrigações estatais só conduz a um resultado: o aumento das mensalidades dos segurados. Ou seja, todos pagam mais diante da ineficiência no Estado.

O sistema de Saúde Pública, vale repetir, é custeado pelos impostos. Mas a Saúde Privada, Hospitais, Médicos em seus consultórios e os Planos de Saúde são custeados pelos indivíduos ou segurados, que têm o poder de escolha entre diversas alternativas. Ao fazer essa escolha, eles avaliam o custo e o risco que estão dispostos a assumir. Essa noção de risco/custo (ou, custo/benefício) é realizada por todos nós nas mais variadas decisões que precisamos tomar.

Pois bem. Quando o Poder Judiciário, a despeito da escolha do cidadão ou segurado, obriga uma empresa a fornecer além do que foi previsto no contrato duas consequências são geradas: (i) os Hospitais, Médicos, Clínicas e Planos de Saúde perdem a capacidade de se estruturar financeiramente para fornecer os serviços; e, (ii) os cidadãos, consumidores e/ou segurados são estimulados a atuar com reserva mental e irresponsavelmente, pagando menos, pois terão no Poder Judiciário um alicerce que lhes garantirá mais do que foi contratado em contrapartida ao preço pago.

Em outras palavras, o Judiciário estará estimulando o comportamento de risco do consumidor, cidadão ou segurado, que espera um “socorro” paternalista de última hora, e, ao mesmo tempo, causará um aumento no custo da Saúde Privada para todos os demais. Qual é o resultado desse quadro? Os participantes da Saúde Privada terão de fornecer mais para quem pagou menos – para cumprir as determinações judiciais –, a conta final não fecha e só resta uma alternativa: aumentar o preço, de modo a garantir o equilíbrio econômico-financeiro de toda a operação da Saúde Privada, reduzindo, por via de consequência, seu acesso para toda a população.

Cada vez que uma liminar é deferida, concedendo mais para alguém que pagou menos, gradativamente, os cidadãos brasileiros – que têm um péssimo sistema de Saúde Pública Estatal – ficam sem alternativa e pagam muito mais caro. Mas, essa situação é criada pelo Poder Judiciário que subverte a contabilidade empresarial, inviabilizando o cálculo do preço. De duas uma: ou as empresas fecham as portas; ou, os preços aumentam.

Os contratos devem ser fielmente cumpridos para evitar consequências desastrosas, que afetarão a população: (i) seja pelo aumento do recurso à Saúde Pública – já inchada e incapaz de atender às demandas do povo brasileiro; ou, (ii) seja pela exclusão de diversos cidadãos da possibilidade de contratarem a Saúde Privada em razão do aumento dos preços, necessários para reajustar os riscos contratuais.


Sobre o autor

Leonardo Correa
Advogado e LLM pela University of Pennsylvania
Advogado e LLM pela University of Pennsylvania, articulista no Instituto Liberal.
Matéria extraída do website do Instituto Liberal

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Brasil doente

Por Armando Soares 



                O Brasil está sofrendo de doença infecciosa provocada pelo vírus petista trazidos por Lula, Dilma e seus apaniguados e seguidores. Assim como um computador que não funciona ou para de funcionar em consequência do ataque de vírus promovido por pessoas mal intencionadas, estroinas e piratas, o Brasil também foi contaminado por vírus que estão fazendo parar a economia e o Estado. Em se tratando de computador o vírus é um programa estranho ao sistema capaz de copiar e instalar a si mesmo, geralmente concebido para provocar efeitos nocivos ou estranhos à funcionalidade do sistema aos dados armazenados. Esse exemplo é perfeito para que os brasileiros possam entender melhor o mal causado ao Brasil enquanto administrado por Lula, Dilma e PT. O vírus petista infecionou todos os órgãos do governo de tal maneira que nada funciona a contento.            

               Gostaríamos de estar escrevendo sobre o desenvolvimento do Brasil, especialmente sobre a Amazônia, mas diante dos problemas que estão afligindo todos os brasileiros, a prioridade do momento é de alertar sobre o momento político e administrativo crítico. O Congresso Nacional lembra uma Torre de Babel, desordem, confusão, tumulto. O governo seja ele federal, estadual ou municipal, se transformaram em mercados e se afastaram de suas responsabilidades e funções impregnados que estão com políticas nocivas como é o caso da política ambiental que no Pará intensificou o ataque as células produtivas agrícolas aumentando custos, criando uma lista negra do desmatamento ilegal intempestiva e ditatorial, decisões que objetivam enfraquecer a célula agrícola até a sua paralisação, o que acresce a questão da demora em atender o setor produtivo, construindo um cenário estúpido onde o produtor é obrigado a cumprir exigências estapafúrdias com prazos delimitados, quase sempre exíguos, enquanto o governo não tem prazo nenhum para certificar a propriedade, o que é mais uma anomalia. Isso prova de que realmente o governo do Pará não tem nenhum interesse em promover desenvolvimento econômico, focado que está na questão ambiental, onde domina como rei a ONG Imazon e serviço de interesses estrangeiros.


                Em programa da TV Globo comandado por Serginho Groisman entrevistado declarou e foi gravado: “O que foi gratificante pra mim foi saber que aquilo que nós tínhamos denunciado durante a campanha foi provado dois anos depois. Tudo aquilo que aconteceu nós denunciávamos durante a campanha, não apenas nós, uma parte da imprensa denunciava, intelectuais denunciavam, artistas denunciavam, todo mundo sabia porque o passado político de Collor era um passado político tenebroso. Agora, foi uma pena que precisasse três anos para provar, mas foi importante; o provo brasileiro pela primeira vez na América Latina, o povo brasileiro deu uma demonstração de que é possível que o mesmo povo que elege um político destituir esse político. Eu peço a Deus que nunca mais o povo brasileiro esqueça essa lição... aliás, na Constituinte nós defendíamos uma tese de que na hora em que o povo vota num candidato a deputado, vereador e depois de um determinado tempo este vereador não está cumprindo com aquilo que era o programa durante a campanha, os mesmos eleitores que elegeram a pessoa poderiam destituir a mesma pessoa. Se a gente conseguir isso seria a salvação da lavoura nesse país.” A autoria desse pronunciamento, como vocês devem ter percebido é de Lula, portanto, o que era bom e verdade, a salvação da lavoura, para destituir Collor, certamente é bom e verdade para destituir Dilma, porque mentiu e não cumpriu as sua promessas de campanha, ou Lula e os petistas acham que isso só é bom para agasalhar os interesses do PT?

                Quem assiste à televisão está acompanhando como sofrem os brasileiros para pegar um transporte para trabalhar. As cenas captadas se parecem com as cenas dantescas ocorridas na Alemanha nazista quando os judeus eram jogados desumanamente em trens que os conduzia aos campos de concentração e aos fornos crematórios. No Brasil só falta o soldado com metralhadora e os fornos crematórios, o resto é tudo igual. Se voltarmos nossas vistas para os hospitais a cena é mais cruel. É dessa maneira que o Lula, Dilma e o PT tratam os trabalhadores e pobres, enquanto deixavam roubar a Petrobrás e outros organismos federais, transferiam bilhões de reais a Cuba, Venezuela e outras regiões comunizadas, onde classe média não existe e o pobre é pobre a vida inteira. A sujeira política brasileira fede em todos as partes do país contaminada pelo vírus da corrupção, do desregramento moral e ético e da incompetência administrativa. São os bens do Estado, de todos os brasileiros que estão alimentando criminosamente bandidos, péssimos administradores, péssimos juízes e péssimos servidores públicos. Não bastasse toda a sujeira que se assiste e se lê diariamente nas televisões e nos jornais, ainda temos que nos defender do mosquito da dengue e de outras doenças, e muito mais grave, obrigar a população a se defender de bandidos armados apenas com as mãos na falta de uma arma, em razão da proibição imposta manu militari por esses pretensos donos do poder para facilitar a vida do bandido, do assassino e, o que é mais provável, de desarmar a população brasileira para facilitar permanência no poder, por tempo indeterminado do que é o esgoto político brasileiro. 


                Por que a destituição do Collor se processou tão rápido, e a destituição da Dilma não é cogitada e priorizada. Collor teve como seu maior pecado o confisco criminoso, mas teve lampejos de inteligência quando teve a coragem de mostrar a verdadeira face da indústria automobilística que produzia carroças. Dilma tem um currículo de desserviço ao Brasil muito mais rico do que Collor, tripudiou de todos os brasileiros com suas mentiras e falsidades e não teve nenhum momento de inteligência e lucidez. Sua atenção maior estava voltada para tornar o Brasil, o maior continente latino americano comunista, objetivo que justificava suas mentiras e o desvio de dinheiro brasileiro para republiquetas comunistas. Quem se armou para matar brasileiros e foi criada no comunismo, não pode, mesmo que queira governar uma república democrática; isso vai contra a sua natureza e ideal. O afastamento de Dilma do poder é ainda um prêmio a quem virou de cabeça para baixo o país. Em qualquer outro país que se respeite um governante com o currículo da Dilma teria saído do poder algemado direto para a cadeia, assim como toda sua entourage. 


                O atual cenário brasileiro é angustiante porque impossibilita que uma nova geração pudesse se beneficiar de boa qualidade de vida se o Brasil estivesse num processo dinâmico de desenvolvimento e de criatividade. Como os mais velhos sabem e melhor os economistas desapegados do governo e de seus interesses egoístas, uma recuperação econômica, um pulsar econômico dinâmico leva pelo menos uma geração. Portanto, no caminhar da carruagem, temos pela frente uma geração perdida e obrigada a trabalhar duro em favor de outra geração que não tenha de conviver com o lamaçal politico atual, com uma corrupção gigantesca e aviltante e com uma absoluta falta de perspectiva e oportunidades. É esse tipo de crime contra uma nova geração que nos deixa indignado e que pede o afastamento mais rápido possível dos principais responsáveis por brincarem com as vidas de milhões de brasileiros. Nada é mais grave e mais assustador. Dentro de poucos anos, Lula, Dilma estarão mortos deixando como herança um Brasil aleijão, sem perspectiva; um legado que sacrifica toda uma geração nova que não teve a oportunidade de se opor a experiência tresloucada de oportunistas sem pátria.

Armando Soares – economista

                
Soares é articulista de LIBERTATUM

Porco-espinho enfrenta 17 leões famintos na luta pela sobrevivência


Quando o "assaltado" está armado, os assaltantes dormem com fome.

Até quando o Brasil exigirá visto dos americanos?

EMBAIX1No momento que começo a escrever este artigo, uma Vice-Presidente de uma grande multinacional hoteleira e o Principal de uma das maiores firmas de design de interiores do mundo estão tendo dificuldades de conseguir um visto para me encontrar no Brasil. Eles virão visitar um projeto multi-milionário no qual estamos trabalhando juntos e que gerará algo como mil empregos no país pelos próximos 30 anos. Mas isto não é nada comparado ao que estamos perdendo.
Caso você não saiba o Brasil faz parte de uma pequena e seleta lista de países que requerem vistos para turistas norte-americanos, seja lá o que estes forem fazer no Brasil. Este time de nações inclui, em sua imensa maioria, inimigos históricos dos EUA como Coréia do Norte, Afeganistão, Irã, Iraque, Syria, Libano, China e Russia. Além destes, apenas alguns países da África. Nem unzinho da Europa e, em todas as Américas, apenas Brasil e Venezuela possuem essa política. Estar ao lado da Venezuela em qualquer coisa é sempre um mal sinal, mas sequer a Cuba comunista partilha desta insanidade – cidadãos americanos são (ou eram) proibidos de viajar para lá apenas pelo governo americano, mas a ilha de Fidel não discrimina detentores de dólares e estes são até muito bem vindos, no que diz respeito a Cuba.
Americanos não estão acostumados a tirar vistos, mas estão menos acostumados ainda com a dificuldade especifica para tirar vistos para o Brasil. Além da espera que pode chegar a meses, só possuímos embaixadas/consulados em algumas cidades dos EUA, que são, por característica, uma nação com muitas cidades grandes. Caso venha a trabalho, é necessário apresentar uma carta de uma empresa brasileira “se responsabilizando” pelo viajante. E caso o gringo ainda assim, queira muito vir ao Brasil, terá de pagar caro pelo visto (o mesmo que cobram dos brasileiros que querem tirar visto para os EUA, apesar da procura significativamente menor). Depois disto, deverá deixar seu passaporte por alguns dias com a autoridade brasileira, o que requer bastante coragem, uma vez que o americano médio enxerga o governo brasileiro mais ou menos como nós enxergamos o governo do Zimbabwe. E só posso dizer que eles estão cobertos de razão.
A justificativa para tal expediente é o tal do princípio da “reciprocidade”. Este princípio diz que um país tem o direito de adotar com o outro a mesma medida que este adotar com ele. Portanto, se os EUA exigem visto para brasileiros (como fazem com diversos países), o Brasil devolve a gentileza também exigindo visto de turistas americanos. Ou seja, na cabeça do Ministério das Relações Exteriores, ambos os países têm as mesmas realidades, objetivos e problemas com seus turistas. Ou você não sabia que, todos os anos, o Brasil enfrenta um enxurrada de americanos imigrando ilegalmente para virarem baby-sitters e camareiras em terras tupiniquins?
É quase impossível calcular o prejuízo que tamanha obtusidade causa à economia brasileira. O Office of Travel and Tourism Industriesestima que os norte-americanos fazem algo como 70 milhões de viagens internacionais por ano (algo como 200 mil viagens/dia)! A magnitude destes números nos fazem perceber o quão ridículo é o montante de turistas que o Brasil recebe anualmente oriundos dos EUA – algo entre 600 e 700 mil, segundo o Ministério do Turismo. Ainda assim, são nossos segundos maiores visitantes, atrás apenas de nossos vizinhos argentinos.
Mas qual seria a razão e quem teria algo a ganhar com uma política tão tacanha? Por que continuamos tentando barrar desesperadamente a entrada de dólares que gerariam empregos e trariam divisas importantes ao país? Uma mente sensata só pode imaginar que seja megalomania política, o resultado de uma política externa cuja ideologia é subordinada ao Foro de São Paulo, ou uma combinação de ambos.
Seja como for, há uma esperança no fim do túnel e ela vem de fora. A superioridade americana se configura até mesmo no pragmatismo desta questão e hoje há uma discussão ativa para a remoção da necessidade de visto de turismo para países como Brasil, Argentina e Coréia do Sul (os dois últimos, não exigem vistos de turistas americanos, vale lembrar). O motivo? MONEY TALKS: os brasileiros gastam anualmente algo como US$ 11 bilhões nos Estados Unidos e esta cifra aumentou cerca de 560% nos últimos 10 anos. Como resultado, a indústria hoteleira azul e vermelha começou um pesado lobby no Congresso pelo relaxamento das exigências. Na terra do Tio Sam, turismo é coisa séria: considerado uma das maiores indústrias do país, movimenta todos os anos mais de US$ 2,1 trilhões (algo como 15% de todo PIB americano). Também acrescenta aos cofres públicos US$ 140 bilhões e emprega 15 milhões de americanos.
Nação rica deve ser o Brasil, que parece poder se dar ao luxo de esnobar o dinheiro da maior economia do mundo. Aliás, em tempos de recessão e ajuste fiscal, estava aí uma ótima medida indolor para o ministro Joaquim Levy, com apenas uma canetada, arrumar alguns belos trocados e ainda dar uma significativa bombada na combalida economia brasileira. Colaborar com o empresariado nacional e trazer reservas para o Brasil parecem medidas bem mais eficientes e sensatas do que a criação infinita de impostos. Já passou da hora do governo brasileiro começar a entender a distinção entre gerar e tomar riqueza.
PS: Antes da conclusão deste texto o problema do visto dos executivos mencionados foi resolvido. Conseguimos encontrar um despachante em Nova York que diz ter contatos na embaixada brasileira e obteve o famigerado visto no mesmo dia. A parte mais difícil foi tentar traduzir “despachante” para os americanos, uma vez que esta função simplesmente não existe por lá. Parece que arrumamos um novo produto tipo exportação: o “jeitinho brasileiro”.

Sobre o autor

Paulo Figueiredo Filho
Diretor de Relações com o Mercado do IL
Cursou Comunicação Social e Economia na PUC-Rio e é bacharel em Filosofia. Teve significativa passagem pelo setor público como assessor especial e chefe de gabinete no Governo do Estado e na Prefeitura do Rio de Janeiro. De volta à iniciativa privada, hoje atua como CEO do grupo Polaris Brazil, à frente de empreendimentos imobiliários e hoteleiros de porte internacional, incluindo o Trump Hotel do Rio de Janeiro.

Tire a mão do nosso bolso, ministro

Em menos de vinte e quatro horas, movido por uma sanha tributadora poucas vezes vistas nesse país, mesmo nos tempos mais intervencionistas, o ministro Joaquim Levy – aquele que dizem liberal – fez uma penca de declarações e comentários estarrecedores, de fazer cair o queixo de qualquer brasileiro com um pingo de discernimento e vergonha na cara.
primeiro foi um truísmo, dito em inglês, com ares de grande novidade, para uma platéia majoritariamente estrangeira: “No Brasil, a maioria das empresas não gosta de pagar impostos”.  E emendou: “Não é um problema restrito ao Brasil, certo. Não espalhe isso.” De fato, ministro, a imensa maioria dos seres humanos não gosta de pagar imposto, nem aqui nem em qualquer outro lugar.  Se gostássemos, não teríamos dado a isso o nome de *imposto*, pois seria uma contribuição voluntária, como a de alguém que vai ao supermercado trocar um quilo de batatas por certa quantia em dinheiro.
No Brasil, a coisa se torna ainda mais amarga, tendo em vista que os serviços que os governos deveriam prover, em troca dos tributos cobrados da patuleia, praticamente inexistem.  Então, além de pagar por serviços de saúde públicos, as pessoas têm de pagar também os planos de saúde privados, se quiserem ter uma assistência minimamente decente.  Além de pagar por segurança pública, as pessoas têm muitas vezes de pagar por serviços de segurança privados.  O mesmo raciocínio vale para a educação dos filhos, os planos de aposentadoria complementares, etc.
O segundo comentário foi dito em depoimento no Senado.  Falando em tom franco, Levy disse aos senadores: “Seria inadequado dizer: jamais trarei imposto novoAcho que o governo tem que ter liberdade para tomar as decisões necessárias de seu interesse“.  Na verdade, ele já trouxe, quando pretendeu, através de medida provisória, acabar com a desoneração da folha de pagamentos.  Quem não deixou a coisa ir adiante foi o Congresso, zelando, como deve ser, pelos interesses, pela liberdade e pelo bolso dos cidadãos pagadores de impostos.
Joaquim Levy não é um homem burro.  Ele sabe que a carga tributária brasileira já se encontra em nível insuportável para os padrões de países em desenvolvimento, o que prejudica sobremaneira qualquer expectativa de crescimento econômico sustentado.  Ele sabe também que os brasileiros já se encontram no limite da capacidade de pagar impostos.  Como, ademais, está perfeitamente ciente que de é muito pouco provável, senão impossível, reverter, no futuro, eventuais aumentos ou criação de novos impostos.  Portanto, ainda que seja louvável que ele almeje um superávit fiscal primário de 1,2% do PIB em 2015, é insano que pretenda consegui-lo através de aumento de impostos. Se fosse para fazer isso, qualquer um faria, até Guido Mantega.
Aliás, falando de Mantega, Levy também fez o país recordar do ex-ministro, ontem, no Senado.  A proposta apresentada aos senadores para os novos índices de correção das dívidas de estados e municípios prevê que os mesmos só serão substituídos a partir de 1º de fevereiro do ano que vem, quando o governo já saberá se conseguiu cumprir a meta fiscal de 2015, ajustada com as agências de risco.  De acordo com a proposta, estados e municípios seriam ressarcidos, no ano que vem, pelo que for pago a mais neste ano.  Trocando em miúdos, eles fingem que pagam e a gente finge que faz um superávit primário.  Se isso não é contabilidade criativa ou maquiagem contábil para inglês ver, eu não sei o que é.  Pelo visto, a doença pega…
Para encerrar o festival de barbaridades, Levy teve a petulância de dizer que “O aumento na conta de luz, além de ajudar as empresas de energia elétrica e aliviar o governo, tem uma utilidade adicional de mostrar para o consumidor como é caro produzir luz”.  O ministro só pode estar bêbado, para dizer um absurdo desses, sabendo que perto de 48% da conta de luz são impostos e encargos setoriais…
Não por acaso, o IBOPE divulgou hoje que, de dezembro para cá, o percentual de brasileiros que considera o governo de Dilma Rousseff  ótimo ou bom caiu de 40 para 12%.  Para este escriba, mais formidável que a queda abrupta do índice é saber que ainda existem 12% de brasileiros que acham esse desgoverno que aí está ótimo ou bom.  Definitivamente, o pior cego é aquele que não quer ver…

Sobre o autor

João Luiz Mauad
Administrador de Empresas e Diretor do Instituto Liberal
João Luiz Mauad é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O Globo, Zero Hora e Gazeta do Povo.
Matéria extraída do website do Instituto Liberal



Julgamento, tolerância e liberalismo

Just
por Andrew Cohen
É interessante discutir a respeito da tolerância. As ideias que as pessoas têm a respeito do tema são muitas e variadas. Uma ideia que surge frequentemente, recheada de uma variedade de termos, é a seguinte: “tolerância é uma política multiculturalista insossa, mas é basicamente algo bom porque as pessoas não deveriam julgar os outros”.
Existem (pelo menos) dois problemas aqui.
  1. Conceitualmente, não toleramos o que gostamos ou aprovamos. Eu não tolero a música de James Blunt. Eu gosto dela – muito. Se eu escuto a música de Britney Spears ou rap, pelo contrário, eu posso (com algum esforço) tolerá-la. Dito isso, a tolerância é possível apenas onde temos algum tipo de reação negativa e não há razão para duvidarmos de que em alguns casos essas reações serão completamente formadas de julgamentos. Eu suponho que o multiculturalistas não têm tais reações às culturas múltiplas que procuram incluir no seu diálogo.
  2. A própria ideia de que não deveríamos julgar os outros é por si mesma estranha. As pessoas são seres racionalmente autônomos. Como seres racionais, tendemos a avaliar as coisas à medida que somos expostos a elas – pelo menos as coisas que nos chamam a atenção (por qualquer motivo que seja). É isso que seres racionais fazem. Por exemplo, seres racionais não apenas percebem quando uma árvore cai no meio da estrada. Eles percebem a árvore caída e depois avaliam a situação para determinar o que fazer em seguida. Se eles percebem alguém com uma serra elétrica ao lado do tronco da árvore, eles naturalmente avaliarão a situação – talvez julgando que essa pessoa deve ter causado a queda da árvore por malícia ou estupidez, fazendo com que ela caísse no meio da estrada. As pessoas, na verdade, não podem evitar de julgar. Além do mais, nós queremos que as pessoas julguem. Eu não quero ler periódicos de filosofia cheios de coisas sem sentido; eu conto com os editores para julgarem os trabalhos que eles recebem e apenas publicarem os trabalhos de qualidade. Eu certamente quero que alguém (não necessariamente o estado) julgue a habilidade das pessoas que se dizem profissionais da medicina. E profissionais legais, e chefs. E... a lista continua. Nós não lemos coisas como relatórios ao consumidor ou guias de restaurantes sem razão. Queremos que alguém tenha feito o trabalho de julgamento.
Conclusão: tolerância não é uma agenda multiculturalista da esquerda. Saber se podemos ou devemos tolerar diferentes culturas requer o julgamento dessas culturas. Algumas vezes nós vamos reprovar ou nos opor a essas culturas e decidir que devemos tolerá-las. Da mesma maneira, vamos algumas vezes reprovar ou nos opor ao que outros indivíduos falam ou fazem. Em ambos os casos, isso envolve julgá-los. Em muitos casos (na maioria da vezes, pela minha experiência), teremos que tolerá-los se estamos verdadeiramente comprometidos com qualquer versão razoável do liberalismo.
Nós podemos, devemos e iremos julgar. Nós podemos ou não dizer algo baseado no julgamento. Algumas vezes – talvez, frequentemente – é sensato, educado ou até mesmo moralmente correto não o fazer. Mas essa é uma questão diferente. E, é claro, haverá muito casos quando nós aprovaremos ou gostaremos de uma pessoa ou cultura que julgamos. Nesses casos, não interferimos, mas não devemos confundi-los dizendo que os toleramos.
(Também acho que devemos ser claros conosco quando julgamos os outros – indivíduos ou culturas – por alguma base idiossincrática ou contra padrões morais objetivos. Deixo isso para discussão em outras ocasiões.)
* Publicado originalmente em The Bleeding Heart Libertarians.
Matéria extraída do website do Instituto Ordem Livre