sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Espaço Comercial LIBERTATUM

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"Isto é que é Coca Cola"...

Fim de feira

Faltam 46 meses para o governo Dilma acabar. É tolice tentar abreviar a agonia que, tudo indica (ou melhor, nada indica que não), nos afligirá em três longas prorrogações deste nada promissor ano de dois mil e cinzas. Impeachment já ou logo, como exigem alguns, que prometem sair em bloco às ruas no dia 15, é inviável e só interessa por enquanto ao ex abandonado Luiz Inácio Lula da Silva. Este não é mais o ai-jesus de antes, mas continua sem adversários na oposição, cuja única novidade a apresentar ao público pagante era a barba de Aécio, que a tirou para não a pôr de molho.
Talvez venha a ser a mais longa caminhada de um pato manco na História desta República, pois a chefe do governo só conseguirá ser a líder política de que o país precisa para administrar a herança maldita que ela própria se legou se parar de mentir e mancar a cada passo. Por enquanto, o único sucesso que ela tem a apresentar ao eleitorado que a levou de volta ao trono é que este não vai vergar sob seu peso por causa de uma invejável dieta evidentemente bem-sucedida. Fora isso, o que comemorar de uma governante(a) que só não erra quando cala – lembrando aquela frase cruel de Romário sobre Pelé: “Calado, é um poeta”?
O que comemorar de uma governante(a) que só não erra quando cala?
Dilma cuspiu nos direitos trabalhistas que jurou proteger; aumentou a tarifa de luz (no Sudeste, calcula-se, em 70%), que prometeu reduzir; e deixou de pagar o Pronatec, que esfregou na cara do adversário em campanha. Agora, para dar um jeito no cofre, transferiu a responsabilidade para o economista ao alcance. Joaquim Levy saiu do segundo time do candidato derrotado para assumir o que este teria de fazer se ganhasse. E deve agradecer a Deus pelos três pontos porcentuais que ela teve a mais de votos, sempre que se persigna. Cabe-lhe defender o indefensável e salvar a pele da chefona. Se tiver sucesso, será substituído por um companheiro fiel às ideias muito próprias que ela tem da economia. Se não tiver, será apontado como o substituto de Fernando Henrique na condição de bode expiatório preferencial.
Mesmo tendo um escudo para se proteger do material orgânico em que pode resultar sua tentativa de corrigir os erros do próprio passado, contudo, Dilma continua empenhada em dizer e fazer tudo errado. Produziu, por exemplo, depois da Quarta-Feira de Cinzas a piada do carnaval – que tinha tudo para ser a do voo da Beija-Flor até a Guiné Equatorial -, ao transferir a culpa da roubalheira na Petrobras ao tucano antecessor dos três governos petistas. Agarrou-se à tábua de salvação da delação premiada do ex-gerente Pedro Barusco, que confessou ter começado a roubar discretamente em 1996 (ou 1997?). O professor passou a ser acusado pelo dilúvio universal bíblico e pela seca em que São Paulo virou sertão.
Antes de ser acusado pela traição de Calabar e pela amputação dos braços da Vênus de Milo, o sociólogo desceu das tamancas e bateu abaixo da linha de sua cintura afinada, ao compará-la com o punguista “que mete a mão no bolso da vítima, rouba e sai gritando ‘pega ladrão’!” O adversário não foi muito elegante, mas, ainda se levando em conta a eventualidade, é possível concluir que, tendo sido ministra de Energia, presidente do conselho de administração da estatal assaltada , chefe da Casa Civil e presidente no período de 12 anos em que o furto foi “sistêmico”, segundo o delator, ela poderia ter ido dormir sem essa.
A galhofa é nossa, mas sugiro que se preste mais atenção em algo mais sério que ela também disse ao voltar da mudez dos idos de Momo. Depois de ter rasgado a bandeira socialista ao garantir que não se apena empresa, para evitar desemprego, mas gente, para punir corrupção, ela deu uma guinada de 180 graus ao afirmar: “Isso não significa de maneira alguma ser conivente ou apoiar ou impedir qualquer investigação ou qualquer punição a quem quer que seja”. E completou, repetindo o lugar-comum traduzido do portunhol do aliado Collor: “Doa a quem doer”.
O noticiário dá-lhe duas boas oportunidades de provar que será coerente com o duela a quién duela que assumiu. Para fazê-lo terá de interromper imediatamente a tentativa canhestra de seu novo controlador-geral da União, Valdir Moisés Simão, de celebrar acordos de leniência com as empreiteiras acusadas de pagar propina a petroleiros, partidos do governo e políticos aliados para tentar evitar delação premiada de empresários presos. A proposta foi avalizada pelo advogado-geral da União, Luís Inácio (que não se perca pelo nome) Adams, outro funcionário a ela diretamente subordinado, e abençoada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), cuja composição é fiel a seu governo. É, porém, contestada pelo Ministério Público Federal, que tem todas as razões do mundo para temê-la. Pois jogaria por terra a oportunidade inédita que a presidente diz perseguir de, enfim, punir judicialmente corruptores.
Outro episódio constrangedor para ela é o das audiências do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo – um dos militantes que não riem da piada do Fernandinho primeiro bode expiatório -, aos advogados dos empreiteiros presos. Sabe-se que ele chamou de medievais nossas masmorras, mas nunca fixou um prego numa barra de sabão para mudar o fato. Agora recebe causídicos de luxo, mas não faz idêntico esforço para conseguir nas varas de execuções penais a soltura de 9 mil ex-condenados que já cumpriram pena e não saem da cela por não poderem pagar advogados que tenham acesso à agenda dele. Ou melhor: à agenda controlada pela assessora de confiança, e não a que aos pagadores de seus proventos é dado conhecer. Segundo a Folha, o que ele fez em 80 de 217 dias de trabalho desde o início da Operação Lava Jato foi mantido em segredo, o que torna Sua Excelência o primeiro ministro clandestino da história de qualquer democracia.
Só atitudes dela contra essas tentativas de melar o jogo dissiparão o clima de xepa. Segundo minha avó, “desculpa de cego é feira ruim e saco furado”.
Matéria extraída do website do Instituto Millenium
Do Leitor

Recebemos do amigo Augusto Benone, o seguinte texto a que damos publicação 

"Assistencialismo"! Que linda e amada palavra pelos falsos e incompetentes políticos! Com ela a maioria dos políticos não dotados de bom caráter e competência conseguem passar a muitos cidadãos mal informados que estão lhes dando gratuitamente um ou mais determinados benefícios. Mas que mentira! 

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Os cidadãos precisam saber que não existem benefícios gratuitos, alguém terá que pagar pelo mesmo e com um custo muito maior porque nele ainda será embutido a taxa da corrupção e é aí que está o segredo dessa falsa bondade política. Com o seu uso os políticos ainda se marcam como bonzinhos e solucionador de problemas cruciais na vida dos contribuintes sem que estes percebam que está sendo enganado e pagando mais caro por isso e ainda resolvendo a falta de competência dos demagogos.

Benone Augusto de Paiva
São Paulo, Capital
 
Fonte da ilustração Google 

Frase do dia

“É livre quem sabe como manter em suas próprias mãos o poder de decidir, a cada etapa, o curso de sua vida, e vive em uma sociedade que não bloqueia o exercício desse poder”.  Salvador De Madariaga

Sobre o autor

João Luiz Mauad
Administrador de Empresas e Diretor do Instituto Liberal
João Luiz Mauad é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O Globo, Zero Hora e Gazeta do Povo.

Eu não quero um Brasil melhor… Ainda!

28-07-2014-11-17-54
Uma conjugação recente de fatores – a saber: as atitudes desastrosas do atual governo, a ação de grupos e movimentos sociais para produzir manifestações de rua, a iniciativa de alguns indivíduos que de fato introduziram um discurso legitimamente de oposição no cenário nacional – fez com que “política” se tornasse um tópico muito mais comum nos debates dos brasileiros, nas ruas ou nas redes sociais. Muitos querem se manifestar, muitos querem se informar, o que passava longe de ser regra até bem pouco tempo. Isso é ótimo, é claro. No entanto, muitos argumentos bastante corriqueiros nessas discussões seguem dignos de lamentação. Algumas pessoas insistem em matraquear alegações genéricas e vazias e, percebendo ou não, auxiliam a cartilha dos opositores da liberdade que nos conduzem os rumos atuais.
A começar por aqueles que acreditam que fazer críticas ao petismo significa que você necessariamente é tucano. Esse raciocínio simplificador já foi suficientemente refutado por diversas vezes, estando mais do que demonstrada a pobreza de percepção de quem acredita que o universo de concepções políticas no mundo se limita ao socialismo de articulação bolivariana e populista do petismo e à social democracia – com tendências mais liberais, é verdade – dos tucanos, e que a adesão a qualquer outra corrente seria impossível para o brasileiro. Tão perigosa quanto, porém, é a concepção de que são todos – tucanos, petistas, democratas, peemedebistas – absolutamente iguais, e de que nada mudaria eleger o “menos ruim” – entendendo-se não ser nenhuma das alternativas claramente postas a ideal. Compreende-se que queiramos soluções profundas e imediatas, mas é preciso saber ter paciência para criar as condições. Do contrário, podemos, boicotando as opções concretas, abortar qualquer possibilidade de uma melhoria legítima no futuro.
Por que dizemos isso? Porque, diante dos absurdos cometidos no governo de Dilma Rousseff, começou a ser aventada a ideia de instalar um processo de impeachment. A insatisfação com a corrupção institucionalizada e a aviltante incompetência já atinge vultosos segmentos da massa do nosso povo; a Operação Lava Jato segue a todo vapor e a perspectiva de que esse mecanismo legal, que nada tem de caráter golpista, possa ser utilizado, se torna assunto palpável nessas rodas de discussão. O burburinho já cria eco. Alguns, diante de todo esse barulho, sem propriamente serem partidários do governo, dizem que em hipótese alguma um impeachment deveria ser cogitado. Têm o direito à sua opinião, mas, se o movimento em prol de um impeachment deveria incluir, em tese, uma pressão popular, esses acabam podendo criar obstáculo a que isso se dê, fazendo o jogo do governante inapto.
“É um absurdo”, dizem eles, “pois vejam: se acontecesse um impeachment, o vice-presidente assumiria. Michel Temer!” E então surgem as expressões de estupefação. “TEMER! Vocês querem o Temer? Isso seria um desastre! Continuaria a mesma desgraça, na melhor das hipóteses, ou seria muito pior! Um impeachment não mudaria nada. Deixem como está, aguardem novas eleições em quatro anos e vamos atacar pontos superficiais, como saúde e educação.”
Em primeiro lugar, devo deixar claro: não há processo de impeachment ainda em curso avançado, isso não está acontecendo.  Não estou colocando carros à frente de bois. Entendo apenas que é importante desmontar esse discurso, por ele demonstrar que as pessoas, mesmo algumas que sinceramente estão se esforçando, ainda não apreenderam a magnitude do problema com que lidamos. Por “purismo” afobado – compreensível, diante dos múltiplos motivos de indignação com que temos sido forçados a conviver -, elas não aceitam a ideia de, estabelecendo-se as condições para tal, trocar uma situação terrível por uma apenas ruim. Nesse sentido, argumento aqui na intenção de sustentar qual acredito deva ser nossa posição, uma vez que a situação política caminhe nessa direção definitiva em relação ao mandato de Dilma – o que não é exercício de imaginação; analistas e juristas como Ives Gandra Martins já apontam para isso, bem como há manifestações de rua marcadas para 15 de março com esse viés.
Apreciando a questão por uma ótica meramente prática, admitimos: sem dúvida, não há nada de realmente admirável no PMDB. Eles estão envolvidos com a situação atual até o pescoço. Não têm concepções realmente liberais, não oferecem um modelo institucional de avanço para o Brasil. No entanto, o golpe duro de um impeachment, mesmo sendo Temer a assumir, certamente exerceria um impacto extensivo ao partido de Temer, agitando a divisão interna que já existe na agremiação. A recente propaganda do partido, lançada hoje (26/02), deixa transparecer um tom claro de afastamento da imagem da presidente e de posição oposta a “pontos chave” do projeto petista que o tornam tão perigoso, como o problema da regulação da mídia. Com o PMDB, não esperamos notáveis melhorias, não esperamos maravilhas. Entendam uma coisa séria: ninguém está querendo um Brasil MELHOR, em letras garrafais e com propriedade. Eu não quereria, com um suposto impeachment, um Brasil realmente MELHOR. Não. Antes que me chamem de louco ou masoquista, explico: não quero, AINDA! O estrago é tão grande que precisaremos de muito trabalho e tempo para elevar, de fato, a estatura de nosso país. Não conseguiremos reformas essenciais com rapidez, nem mesmo com Temer ou o PMDB. Crer nisso seria ilusão. O objetivo imediato não é precisamente esse. Antes de pensar nisso com a completude que essa aspiração merece, é preciso cumprir um requisito fundamental: precisamos de um Brasil SEM PT NO PODER.
Quero um país que não seja governado por uma legenda diretamente mancomunada com a casta bolivariana que domina a América Latina, cúmplice silenciosa – e às vezes nem tão silenciosa – dos desmandos venezuelanos, bolivianos e argentinos. Por uma legenda que sustenta abertamente o controle da mídia. Por um partido autoritário que nos atrasa há doze anos, “glamourizando” a ignorância e aplaudindo a mediocridade; que “nadou” na onda positiva, permitida pela conjuntura internacional e pelas atitudes corretas do governo FHC – o mesmo que tanto atacam, com todos os defeitos que realmente tiver. Um país em que um ex-presidente alucinado não realize um ato circense (sem ofensas aos circos) “em defesa da Petrobrás” contra a “desmoralização”, como se denunciar a imundície na empresa a prejudicasse mais do que a imundície em si. Um país em que Lula da Silva clamar pelo “exército de Stédile nas ruas” seja entendido por todos como a abominação irresponsável que é. É esse o país que quero. Um país em que o processo em curso pelas mãos do PT seja interrompido, e a política externa vexatória seja suspensa, ainda que para entrar em seu lugar, temporariamente, um fisiologismo suspeito e questionável, mas que tem sido um dos grandes responsáveis, ainda que movido por interesses menos felizes, por conter o câncer que se estende sobre nós – e terá que lidar com a pressão de um povo que, então, terá, ao menos em número suficiente, despertado para a vergonha com que convive. Quem entrasse depois, que fosse fiscalizado; cada coisa a seu tempo. Não se pode é, por não ver os louros tão perto, deixar de fazer o que estiver ao alcance.
O impeachment de Dilma Rousseff seria um duro golpe moral em seu partido, e desestabilizar ao máximo o Partido dos Trabalhadores é a melhor coisa que pode acontecer ao Brasil no curto prazo. É preciso destroçar o esquema poderoso que eles construíram. Só depois disso será possível sonhar com conquistas maiores, ainda que distantes. Sem resgatar esse pedacinho de nossa dignidade, nada maior será almejável.

Sobre o autor

Lucas Berlanza
Acadêmico de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, na UFRJ, e colunista do Instituto Liberal. Estagiou por dois anos na assessoria de imprensa da AGETRANSP-RJ. Sambista, escreveu sobre o Carnaval carioca para uma revista de cultura e entretenimento. Participante convidado ocasional de programas na Rádio Rio de Janeiro.
Matéria extraída do website do Instituto Liberal
O vício do raciocínio metonímico consiste em tomar a parte pelo todo, ou o instrumento pela ação, mas enxergando aí uma identidade real em vez de uma  mera figura de linguagem.

O traço estilístico mais constante e saliente nos escritos dos imbecis é a indistinção entre coisas objetivamente diferentes que têm o mesmo nome. Levado pelo potente automatismo da construção verbal separado da percepção, da memória e da imaginação, o sujeito extrai, de premissas referentes a um objeto, conclusões sobre outro objeto completamente diverso designado pela mesma palavra. Isso é o que propriamente se chama “equívoco”: tomar a identidade nominal como identidade real. O estilo característico dos imbecis é um arquitetura de equívocos.

Desfazer um equívoco não é difícil. O problema com o imbecil é que ele não sabe que o é, nem imagina, portanto, que deveria deixar de sê-lo; e os equívocos que comete são tantos e tão grosseiros que não é possível desfazê-los sem tornar evidente que o desempenho da sua inteligência está abaixo do normal – um dano à sua querida auto-imagem contra o qual ele se defenderá com todas as suas forças. A imbecilidade, como o segredo esotérico, protege-se a si mesma.

As pessoas normais podem superar seus erros porque apreciam a inteligência superior e desejam aprender com ela, ao passo que o imbecil genuíno não percebe superioridade nenhuma ou, quando a percebe, deseja achincalhá-la ou exorcizá-la para libertar-se de toda obrigação de melhorar.

O imbecil a que aqui me refiro não é o mesmo que o “imbecil coletivo” do qual falei outrora. Este, conforme o defini na ocasião, era “uma comunidade de pessoas de inteligência normal ou superior que se reúnem com o propósito de imbecilizar-se umas às outras”. Decorrida uma geração, o imbecil de agora já é o filho ou produto acabado do imbecil coletivo: não precisa imbecilizar-se porque imbecilizado está. Não tendo participado nem superficialmente dos afazeres da alta cultura como o seu antepassado e mentor, não procura sequer macaquear o exercício da inteligência, porque o desconhece e nem imagina em que possa consistir semelhante coisa.

Um exemplo irrisório, mas por isso mesmo típico, veio-me de um rapaz que, diante da minha asserção de que a caça esportiva é hoje o meio mais eficaz de manter o equilíbrio entre as várias populações animais num dado território, proclamou indignado que, nos EUA, os caçadores extinguiram, no século XIX, não sei quantas espécies de bichos.

A ira do cidadão contra o símbolo “caça” o impedia de ver que por trás desse nome se ocultavam duas atividades não só diferentes, mas antagônicas. Os homens que mataram lobos, ursos, raposas e bisões em quantidade descomunal e obscena, no período da ocupação do Oeste americano, eram eminentemente comerciantes de peles, que esfolavam os animais abatidos e saíam mais que depressa em busca de mais peles, deixando a carne apodrecendo sob a chuva e sob o sol. Essa atividade, cujo análogo residual persiste na África sob a forma do comércio ilegal de marfim malgrado toda a repressão governamental, está rigorosamente excluída da caça esportiva tal como se pratica hoje no Ocidente. Aqui o caçador, ao abater um veado, um alce, um urso, está sobretudo em busca de algo que possa abastecer a sua geladeira, a de seus amigos ou a de alguma instituição de caridade, considerando a pele (ou os chifres, se for o caso) como um bônus ou troféu que atesta a sua qualificação no exercício dessa tarefa. Isso é assim não apenas por uma convenção unânime entre os caçadores, mas pela força das leis. Leis que não foram instituídas contra os caçadores, mas por eles mesmos e pelas organizações que os representam, e aliás por uma razão muito simples: o controle dos efeitos objetivos da ação humana sobre o meio natural é inerente a toda busca organizada de alimentos, seja na agricultura ou na caça. Ninguém em seu juízo perfeito, muito menos um caçador esportivo, é louco de destruir as fontes do alimento que procura. Por isso mesmo é que a única exceção à caça como busca de alimentos é a liquidação de predadores que destroem fontes de alimentos. E também por isso é que, em todo o mundo civilizado, as associações de caçadores têm sido, desde os tempos de Theodore Roosevelt, as maiores promotoras do conservacionismo, termo que, junto com a coisa que ele designa, foi uma invenção delas mesmas.

Você pode, se quiser, chamar de “caça” essas duas atividades opostas: a do destruidor de espécies animais e a do caçador conservacionista de hoje em dia, mas não pode, exceto por imbecilidade, aplicar ao segundo as conclusões daquilo  que acha que sabe do primeiro. E, se o faz com eloquência indignada, só acrescenta à inépcia o ridículo da presunção.

A arte imbecil da conclusão equívoca tem ligação profunda e orgânica com outros dois fenômenos de patologia intelectual a que já me referi em artigos anteriores: a verbalização histérica e o pensamento metonímico. A primeira consiste em o sujeito acreditar em algo, não porque o viu ou dele teve ciência, mas porque conseguiu dizê-lo e porque a mera forma gramatical da frase acabada (conquista tão trabalhosa que em geral ele não consegue alcançá-la senão ao preço de solecismos e imprecisões de toda sorte) tem para ele um valor de prova. O pensamento reduz-se, desse modo, à autopersuasão barata, onde a ênfase emocional postiça faz as vezes da convicção profunda e séria.

O vício do raciocínio metonímico consiste em tomar a parte pelo todo, ou o instrumento pela ação, mas enxergando aí uma identidade real em vez de uma  mera figura de linguagem. No exemplo citado, a “caça” é tomada como sinônimo de “matar o animal”, quando, na realidade, o ato de matar é apenas o instrumento, o meio pelo qual se perfazem duas atividades objetivamente diversas e incompatíveis.



Publicado no Diário do Comércio.

Matéria extraída do website do Mídia Sem Máscara

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Um manifesto assinado por expoentes da assim chamada ”intelectualidade brasileira”, como Fábio Konder Comparato, Marilena Chauí, Cândido Mendes, Celso Amorim, João Pedro Stédile, Leonardo Boff e Maria da Conceição Tavares (e haja fôlego!), denuncia a Operação Lava Jato como tentativa de destruição da Petrobras, de seus fornecedores e de mudança do modelo que rege a exploração de petróleo no Brasil.
Vejam bem, segundo estes senhores, a destruição da Petrobras vem da apuração dos crimes feitos pela Justiça e pela Polícia Federal; não provém dos próprios crimes praticados pela máfia petista encastelada na máquina pública.
Conspiração
O texto do dito manifesto aponta ainda uma “conspiração” para desestabilizar o governo; as investigações, segundo esses “expoentes intelectuais”, atropelam o Estado de Direito.
Chamo de novo a atenção: não são os crimes cometidos pela máquina corrupta do Partido dos Trabalhadores para consumar seu projeto de poder anti-democrático – e reduzidos por estes luminares a simples “malfeitos” – os que abalam o Estado de Direito; o que abala o Estado de Direito é a ação da Polícia e da Justiça, transformada numa “conspiração para desestabilizar o governo”.
Para finalizar e acentuar a má-fé que perpassa o texto, o manifesto conclui por afirmar que “o Brasil viveu, em 1964, uma experiência da mesma natureza”, a qual nos custou “um longo período de trevas e de arbítrio”. Qual o fundamento para esta aproximação arbitrária e gratuita?
Subversão das ideias, distorção dos fatosConsolida-se hoje, de Norte a Sul do Brasil, um sentimento de aversão e repulsa em face da imensa máquina de corrupção instalada pelo PT (e associados) na Petrobrás, em diversas outras instâncias dos negócios do Estado e nas instituições, com a finalidade de consumar um projeto de poder totalitário. É bom e louvável que assim seja.
Mas é preciso atentar para um aspecto talvez mais perigoso do que a corrupção material! Uma corrupção intelectual na tentativa de inverter a realidade dos fatos, de destruir a objetividade das análises e de subverter a reta razão dos indivíduos. Não se esqueçam, é este tipo de “intelectualidade” e de “lógica” perversa que constitui o esteio de regimes tirânicos e genocidas, como o da Alemanha de Hitler, o da União Soviética de Lênin e Stalin, o da China de Mao, o do Camboja de Pol-Pot, entre tantos outros.
Manifesto que exala agoniaConvido os leitores do Radar da Mídia a lerem trechos do artigo “Que agonia”, que Vinícius Mota publica na Folha de S. Paulo (23.fev.2015):
“Ao final da longa purgação que apenas se inicia, a Petrobras e todo o complexo político-empresarial ao seu redor terão sido desidratados. Do devaneio fáustico vivido nos últimos dez anos restará um vulto apequenado, para o bem da democracia brasileira.
As viúvas do sonho grande estão por toda parte. Um punhado de militantes e intelectuais fanáticos por estatais monopolistas acaba de publicar um manifesto que exala agonia.
O léxico já denota a filiação dos autores. A roubalheira na Petrobras são apenas "malfeitos". O texto nem bem começa e alerta para a "soberania" ameaçada, mais à frente sabe-se que por "interesses geopolíticos dominantes", mancomunados, claro, com "certa mídia", em busca de seus objetivos "antinacionais".
Que agenda depuradora essa turma teria condição de implantar se controlasse a máquina repressiva do Estado. Conspiradores antipatrióticos poderiam ser encarcerados, seus veículos de comunicação, asfixiados, e suas empresas, estatizadas para abrigar a companheirada. (...)
Quanto maior é o peso de empresas estatais na economia, mais amplos são os meios para o autoritarismo. Imagine se o governo ainda tivesse em mãos a Vale, a Embraer e as telefônicas para fazer política. Quais seriam os valores da corrupção, se é que sobrariam instituições independentes o bastante para apurá-los?”
Do Leitor
O amigo Benone Augusto envia nota sobre o hipócrita Chico Buarque. As fotos dele que capturamos na internet, em bistrôs de Paris, país "capitalista" de primeiro mundo, diz bem o que é regra na alma lamacenta de todo socialista: o melhor do capitalismo para si e o inferno socialista para os outros. 
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Já que o Chico Buarque de Holanda elogia tanto Cuba, Coreia do Norte e outros países castigados pelo comunismo, eu lhe pergunto: porque você nunca foi a esses países à trabalho e muito menos para os seus momentos de laser? Noto que sempre prefere as cidades de outros países onde não impera a execração do comunismo disfarçado de socialismo. 
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Paris, Los Ângeles e nova Iorque é sempre os seus lugares preferidos para passear e até comprar imóvel. Porque você não compra em Havana ou em alguma outra cidade da Coreia do Norte? Lá é bom demais, conforme você prega. Vai logo para lá Chico.
Benone Augusto de Paiva
São Paulo, Capital