terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Dilma comemora desastre da educação


Não é sempre que discordo da Sra Presidente Dilma Roussef; às vezes tangenciamos alguns pontos de vista. Isto não significa, contudo, que estejamos olhando na mesma direção.
Por Klauber Cristofen Pires

Conforme noticia divulgada pela Agência Brasil, da lavra de Daniella Jinkings, a "presidenta", segundo a grafia adotada por aquela entidade, em cerimônia de comemoração ao número recorde de um milhão de bolsas de ensino concedidas pelo governo federal, declarou que o Prouni não só "distribui renda" como também "constrói um modelo de desenvolvimento sustentável para o país". Além disso, também destacou que “O Enem é um exemplo de determinação do ministro Fernando Haddad no sentido de assegurar uma transformação e a 'deselitização' do ensino universitário do nosso país”.
Vamos analisar suas palavras, passo a passo.
O que significa dizer que o Prouni distribui renda? Este é um programa de distribuição de bolsas de estudo. Trata-se de um bem pago com dinheiro público, o que lhe revela os traços redistributivos, mas ainda assim o seu objeto não é um pagamento em dinheiro. Por outro lado, concordo com a mandatária, se levar em conta os beneficiários diretos de fato: a indústria dos diplomas, esta que em troca dos generosos subsídios estatais vomita aos alunos qualquer coisa sobre Karl Marx e aquecimento global e os desemboca no mercado de trabalho com um canudo de papel enfiado na goela.
Infelizmente, aí mesmo nossos caminhos se bifurcam. Francamente, não consigo decifrar como tal programa possa se defender como algo sustentável, senão por meio dos pesados impostos, muitas vezes pagos por quem jamais pisará numa universidade.
A facilitação desbragada de vagas de ensino em universidades que têm sido criadas as mais das vezes justamente para se lavarem com a chuva do dinheiro público, constituindo-se basicamente daquelas desconfortáveis cadeiras com um apoio para escrever e de um quadro, têm resultado em enorme desinformação sobre o mercado de trabalho aos jovens, que em sua maioria nunca exercerá a profissão escolhida, por pura incapacidade do mercado em absorvê-los.
Isto significa que o dinheiro dos impostos foi (isto é, tem sido) aplicado em vão, impedindo assim que as pessoas que foram espoliadas pelo poder público pudessem investir em algo mais necessário e urgente em suas vidas – algo mesmo que possibilitasse a criação de atividades produtivas e geradoras de empregos. Isto, decididamente, não tem como ser intitulado de “sustentável”, mas sob uma denominação mais própria, de “autofágico”.
Em uma sociedade livre, onde as pessoas poupam o dinheiro que não lhes foi esbulhado por meio da tributação, os candidatos a uma universidade planejam com muito rigor os prós e os contras do investimento que pretendem fazer. Há um estímulo para que o mercado seja abastecido com uma quantidade razoavelmente necessária de profissionais.
Da mesma forma, há um estímulo para que estas universidades ofereçam serviços de boa qualidade, porque aí quem paga é o próprio usuário, e é ele mesmo quem avalia a performance do atendimento. Não vigora o princípio da “industria da licitação pública”, isto é, da proliferação de fornecedores de produtos ruins que só querem vencer licitações para se locupletarem com o fácil dinheiro público.
Algumas pessoas já me alertaram sobre o caso de estudantes conhecidos na gíria como “filhinhos de papai”, que não dão muita bola aos estudos, e que estão cursando u nível superior muitas vezes por força da pressão familiar, ao passo que muitos estudantes pobres que têm acesso ao Prouni valorizam a chance recebida.
O que dizem não é, em princípio, descabido. Isto acontece, e muito. Todavia, as pessoas que constatam esta realidade assistem-na em um cenário onde os valores do trabalho, da poupança e da propriedade e da iniciativa privada são muito pouco assimilados. Mormente, os “mauricinhos” e “patricinhas” são filhos de pessoas que subiram na vida por vias menos íngremes, e se acostumaram ao processo. Em outros tempos, seriam conhecidos como “fidalgos”.
Quanto aos estudantes pobres que estudam com afinco, estes também são prejudicados, e cito aqui pelo menos três fatores: o primeiro é o da sua formação capenga, fornecida por uma faculdade de barracão; o segundo será um mercado cegado em sua capacidade de selecionar os bons profissionais por conta de um exército de diplomados semi ou completamente analfabetos e imperitos; o terceiro será o de uma futura renda deprimida por um mercado com superabundância da oferta de profissionais, que passarão a trabalhar sob salários de subsistência sem que se lhes permitam investir em si próprios, empurrando cada vez mais a qualidade dos seus serviços para um nível inferior.
Em uma sociedade livre, aquele que seria um estudante pobre já pode ter nascido em uma família que teve maiores salários por conta de menos impostos e que poupou para a sua formação, ou que, demonstrando afinco, conquistou de um empregador ou de um patrocinador privado qualquer uma bolsa de estudo dada a ele sob austeras e compromissadas condições de desempenho.
Por fim, vale ainda um comentário sobre a trágica, sofrível e deprimente gestão do Sr Fernando Haddad e do nefasto Ministério da Educação: Não há como contestar o sucesso do governo petista na afã de terem efetuado uma “transformação” e uma “deselitização” do ensino universitário. Infelizmente, pela inexorável natureza das coisas, a essência do ensino de nível superior está justamente em ser “de elite”, de modo que a supressão de sua característica fundamental constitui-se no seu próprio extermínio. É o que estamos todos testemunhando. Vamos aplaudir?

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