sábado, 17 de janeiro de 2015

Quem não os conhece, que os compre

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O ano acabou, um novo nasceu. 2015 está aí, e esperamos sinceramente que seja, na medida do possível, um ano de realizações e sucesso para nossos estimados leitores. Infelizmente, 2015 também é o começo de mais quatro anos em que, ao que tudo indica, os mesmos desmandos e desvarios que vêm caracterizando o longo período de domínio petista perdurarão. Já no fim de 2014, a presidente Dilma nos brindou com um presentão de Natal: a lista com alguns dos ministros que empossará em seu mandato. Passando os olhos por alguns desses nomes, de imediato nos vem à mente o ditado popular: “quem não os conhece, que os compre”.

O que se vê, e já se poderia imaginar isso, é que o tão debatido critério de qualificação técnica não se sobressaiu, sendo privilegiada a oferta de vagas a nomes dos partidos da base aliada. Nenhuma mudança na maneira de fazer política, portanto. O “muda mais”, na verdade, significa “fique como está” – no máximo, “piore”. Diante da estrutura já há tempos montada pelo PT, de alianças com notórias legendas e personalidades públicas de orientação fisiológica, a fim de garantir sua “governabilidade”, algumas opções já provocam rebuliço entre os esquerdistas mais radicais e paranoicos. Falam eles em um “governo de direita”, em uma traição de Dilma Rousseff a seus “princípios”. Isto, basicamente, porque Joaquim Levy foi empossado no Ministério da Fazenda e Katia Abreu, na Agricultura. O primeiro é um técnico, um economista e engenheiro de gabarito, que já entra no governo desprestigiado pela presidente já na posse, e aparece como uma satisfação imediata diante da gestão de Guido Mantega. A segunda, uma peemedebista que se notabilizou pela atuação no chamado setor do “ruralismo”, sendo constantemente alvo da ala dos ambientalistas radicais. Katia posava de “oposição”, mas jamais teve qualquer consistência ideológica à direita ou pró-liberalismo econômico, cedendo com facilidade seu apoio à nossa mandatária quando lhe pareceu conveniente e sendo premiada com o cargo.

Como se vê, não há nenhuma “guinada à direita” do governo, mas sim concessões circunstanciais, diante dos problemas delicados com que o PT se defronta, mesmo tendo vencido o pleito – daquelas que são feitas pelo PT para evitar o comprometimento de todo o seu projeto, como outras que já ocorreram desde a gestão de Lula.

Vamos, então, a alguns dos outros nomes. Começamos com Jacques Wagner, o mesmo socialista que mudou o nome do Colégio Médici para Colégio Marighella, que, segundo ele, foi “um homem que lutou pela democracia”. Este petista, que foi até pouco tempo governador da Bahia, estado que foi palco de recentes greves policiais e tem a situação de sua Segurança Pública altamente questionada, assume como Ministro… Da Defesa! Pois é, Dilma está premiando seu currículo evidentemente adequadíssimo para a função. Nós que somos encrenqueiros demais… Deixa o homem trabalhar, não é mesmo?

Cid Gomes, do PROS, assume o Ministério da Educação. Muito interessante lembrar que, em 2011, diante de uma greve de professores, ele disse que “quem quer dar aula faz isso por gosto, e não pelo salário”. É este gênio, que não respeita a atividade da docência como um trabalho assalariado e remunerado como qualquer outro – ressalvada sua importância ímpar na formação dos cidadãos e dos trabalhadores de muitas das demais áreas -, que assumirá a EDUCAÇÃO!!! Eu poderia até tentar justificar moralmente essas escolhas de Dilma, mas acho que não sairia do processo conservando minha sanidade mental.

Fechemos com Aldo Rebelo, do maravilhoso – para não dizer o contrário – PCdoB. Dos Esportes, ele pulará para Ministro da Ciência e Tecnologia. Que esperaríamos? Uma figura que se esmerasse pelo aprimoramento de nossas tecnologias, que se interessasse pelo enriquecimento das possibilidades nacionais nesse campo. O histórico do membro de partido comunista, porém, não é favorável. Evidentemente que ele poderia ter modificado suas disposições, mas o PL 4502/1994, por ele proposto, felizmente arquivado, que “proíbe a adoção, pelos órgãos públicos, de inovação tecnológica poupadora de mão-de-obra” (!!), é inegavelmente emblemático. Friedrich Hayek, que toca nesse problema em seu clássico O Caminho da Servidão – leitura obrigatória -, está certamente se revirando no túmulo até hoje diante da sugestão genial do parlamentar.

Façamos justiça ao PT. O nome de Ricardo Berzoini, petista e sindicalista, até então ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, foi definido para o cargo do Ministério das Comunicações. Isso sim é uma indicação coerente. Coerente com o PT, o que é sempre perigoso. Como pontuou Paulo Moreira Leite, colunista do Brasil 247 (sim, fui ler o que diz o “inimigo”) antes de o nome ser definido, a indicação já era “vista como praticamente certa” pelos caciques do petismo porque Berzoini é “um partidário assumido da democratização dos meios de comunicação”. Alçá-lo ao cargo seria “um sinal da importância que Dilma Rousseff irá atribuir à democratização da mídia durante o segundo mandato”, apesar de os dirigentes do PT estarem cientes, ainda segundo um choroso Paulo Moreira Leite, das “disputas duríssimas” em que precisarão tomar parte para aprovar sua agenda na matéria.

O amigo leitor provavelmente já sabe o que eles querem dizer com “democratização da mídia”. Olho vivo.




Sobre o autor

Lucas Berlanza
Acadêmico de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, na UFRJ, e colunista do Instituto Liberal. Estagiou por dois anos na assessoria de imprensa da AGETRANSP-RJ. Sambista, escreveu sobre o Carnaval carioca para uma revista de cultura e entretenimento. Participante convidado ocasional de programas na Rádio Rio de Janeiro.

Matéria extraída do website do Instituto Liberal

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