segunda-feira, 9 de abril de 2012

CUSPARADA NA DEMOCRACIA


Talvez cusparada na liberdade seja um título mais adequado, já que regimes totalitários, autoritários, socialistas, esquerdistas, comunistas, capitalistas, todos se dizem democráticos.
Ten Brig Ar Carlos de Almeida Baptista



Está é a primeira vez que revelarei, com mais profundidade, a minha profunda repulsa contra a hidra vermelha que ampliou seus tentáculos sobre o mundo livre, finda a 2ª Guerra Mundial, à custa de milhões de mortos e escravizados, falindo fragorosamente a partir da falência da sua “sede de origem”.

A forma como tentaram submeter nosso País, em 1935, foi idêntica à dos países já então dominados. Traições, filhos delatando pais ou estes entregando filhos, violências contra os que ousavam dissentir, o canto da sereia para atrair lideranças penalizadas pela falta do pão na mesa dos pobres. O cinismo com que denominam sua ideologia e suas ações de “democratas”, apesar dos arquipélagos gulag , dos confinamentos e das execuções sumárias!

Eu não estava no Brasil no dia 31 de março de 1964. Encontrava-me servindo no 4º Contingente das Nações Unidas no Congo, voando C47 em apoio às tropas de superfície. Cheguei em janeiro de 1963, regressei em junho de 1964.

Em 1961 e 1962, de repente afastado da instrução na aviação de caça, no 1º/4º GAv, Fortaleza, por motivo de doença que julgaram melhor ser tratada no Rio de Janeiro, vi-me classificado na Base Aérea do Galeão, depois no 1º Grupo de Transporte. Rapidamente restabelecido voei, nesses dois anos, perto de 1600 horas em aeronaves C47, levando, nas asas do Correio Aéreo Nacional assistência médica, material e até mesmo espiritual, a regiões e populações tão distantes da civilização e tão esquecidas das autoridades governamentais. Engraçado lembrar que nunca vi miséria, apenas pobreza e coragem para superar tantas dificuldades.

Após a tragicômica renúncia do “homem da vassoura” pude perceber a sanha das minorias vermelhas na tentativa de re-editar 1935. Com o apoio de muitos que se encontravam, então, no Poder, iniciaram o desmonte do edifício para, como sempre, surgirem dos escombros como alternativa para a felicidade geral, num governo do povo e para o povo.

Fui tendo contato com os que, sutilmente, estavam escalados como endoutrinadores, passo a passo revelando-se como de grande influência na transição para um novo mundo, com muitos inocentes úteis atraídos pela promessa do pão para todos, e dos aproveitadores, mais conhecidos como “em cima do muro”, prontos a cair nos braços do lado vencedor.

No Congo, testemunhei a ação desenvolvida pelos comunistas para captar o apoio daquela gente tão pobre, recentemente libertadas da escravidão dos colonizadores. Ali estava o prato ideal para a ampliação da hidra.

Comecei a acompanhar, então, as notícias do Brasil referentes ao progresso da “esculhambação”, com perdão da má palavra, provocada pelos sindicatos, pelas ligas camponesas e, afinal, pela tentativa de desestabilizar o braço armado da nação, com as quebras da hierarquia e da disciplina.

Chegado o primeiro trimestre de 1964, com ele chegavam jornais e notícias, por cartas, pelo rádio-amador ou pelas rádios. Confortava-me o início da reação da população e das elites, bem como do clero, clamando pela intervenção militar. Na hora pensei que o sentimento legalista dos militares pudesse contribuir para o consentimento da implantação da ditadura do proletariado.

Comecei a planejar o não regresso ao Brasil, pensando nas minhas raízes em Portugal, retirando, depois, meus familiares do inferno que seria implantado neste País.

No dia 31 de março participei de uma missão para Elizabethville, compondo tripulação com o Comandante do Esquadrão que não se mostrava minimamente preocupado com a deterioração tupiniquim. Estávamos os dois desfrutando da piscina do hotel onde pernoitaríamos quando por volta das 12 horas alguém o chamou ao telefone. Não tendo regressado dirigi-me ao seu apartamento, encontrando-o completamente prostrado. Disse-me que recebera uma ligação do Brasil comunicando que houvera uma revolução e que ele não retornaria à Pátria. Regressaríamos à Base e ele passaria o comando ao seu Oficial de Operações, após o que, desapareceria no mundo.

Foi a forma como tomei conhecimento da virada que acontecera graças à sociedade que determinara aos militares a retomada da normalidade democrática do País.

Volto agora aos acontecimentos deste dia 29/03/2012, em que cerca de 300 idosos que se orgulham do contragolpe ocorrido em 1964 assistiam a um painel em que se promovia a análise do que ocorrera naquele passado que teima em ficar próximo. Em baixo, os agitadores clamavam, aos gritos, contra os pacíficos, ordeiros e orgulhosos militares e civis que reverenciavam o momento em que ajudaram a evitar uma cubanização do nosso País.

Ao final, estávamos sitiados dentro da “Casa da República”, orientados pela força de segurança a não sairmos do prédio. Eu pensei, de imediato, na possibilidade de que um dos mais idosos e mais debilitados resolvesse enfrentar a turba. Particularmente pensei no Brig Camarinha, meu ex-chefe e dileto amigo, e resolvi enfrentá-los, antes que um deles, mais debilitado que eu o fizesse. . Junto com meu “irmão” Juarez saímos à rua, e enfrentamos a manifestação programada como pacífica, coisa que os comunistas não conseguem realizar. Xingamentos variados partiram da “matilha", pois nunca atuam sozinhos. Um deles, percebendo que eu ia falar alguma coisa desafiou: “fala, fala alguma coisa, seu nazista!”
Controlando-me, disse-lhe apenas: “Você é muito burro para entender o que eu iria falar, além de covarde”.

A partir daí fomos andando até chegar ao metrô, perseguidos pela alcatéia e protegidos por um policial militar que, coitado, tentava proteger os dois velhinhos que ousaram usar do seu direito de ir e vir e da livre manifestação de pensamento.

Foi terrível receber a cusparada que é vista na foto. Podem perceber que têm todas as características de drogados, com olhos esbugalhados e falha de raciocínio. Aí pensei, se eu estivesse armado? Cheguei a pensar nisso, antes de ir à reunião. A justiça julgaria uma reação desproporcional um tiro dado por alguém que dedicou mais de 50 anos a serviço da pátria contra um imbecil vermelho que ousara cuspir no seu rosto?

Sei não, mas isso vai acabar acontecendo. Na próxima vez, vão invadir a “Casa da República”. São insanos e, com certeza, regiamente pagos para isso. Alguém vai se oferecer para ser o cadáver fabricado, como ocorreu com o Edson Luis, bem lá atrás, na manifestação estudantil do Calabouço.

Ao tempo em que caminhamos, por cerca de 100 metros, à procura de um taxi, alvo de agressões morais e de objetos contra nós lançados, pensava: “ Que País infeliz. Esta data deveria ser comemorada em todos os cantos do país, especialmente nas ruas desta cidade que naquele tempo correu sério risco de deixar de ser maravilhosa”.

Para escapar da sanha daqueles infelizes acabamos entrando no metrô, deixando-os do lado de fora, graças a uma feliz orientação do policial militar que nos tentava proteger.

À noite, em casa, confortado pela família e pelos telefonemas de solidariedade tive que “engolir” a publicidade dos comunistas pela televisão, agitando idênticas bandeiras vermelhas e apresentando-se, da mesma forma que lá atrás, antes da derrocada mundial de seus governos, como os arautos de uma nova era cheia de utópicas promessas de felicidade geral.

Estou certo de que os militares jamais se apresentarão para salvar o Brasil, como exigido em 1964, mas creio que esses lunáticos não conseguirão, jamais, transformar este paraíso numa nova Cuba, Albânia, . . . . . No mínimo, enfrentarão as bengaladas dos que tentaram ultrajar neste repugnante episódio da tarde de 29 de março último.

Quem viver, verá!

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