quarta-feira, 2 de abril de 2014

Índice de Preços ao Produtor (IPP) – Fonte IBGE

Ricardo Bergamini

Base: Fevereiro de 2014

Índice de Preços ao Produtor (IPP) varia 0,51% em fevereiro

FEVEREIRO 2014
0,51%
Janeiro 2014
1,43%
Fevereiro 2013
-0,35%
Acumulado em 2014
1,95%
Acumulado em 12 meses
8,24%

Em fevereiro de 2014, o índice de Preços ao Produtor (IPP) variou, em média, 0,51% quando comparados a janeiro, número inferior ao observado na comparação entre janeiro/14 e dezembro/13 (1,43%). No ano, a alta chega a 1,95% e, em 12 meses, 8,24%. O IPP mede a evolução dos preços de produtos na “porta da fábrica”, sem impostos e fretes, de 23 setores da indústria de transformação.


14 das 23 atividades pesquisadas apresentaram alta de preços

Em fevereiro de 2014, 14 das 23 atividades apresentaram variações positivas de preços, contra 19 do mês anterior. As quatro maiores variações se deram entre os produtos compreendidos nas atividades de confecção de artigos do vestuário e acessórios (2,19%), papel e celulose (-1,87%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (1,77%) e calçados e artigos de couro (1,56%). Em termos de influência, sobressaíram outros produtos químicos (0,17 ponto percentual – p.p.), alimentos (0,09 p.p.), veículos automotores (0,07 p.p.) e papel e celulose (-0,06 p.p.).

Na comparação entre fevereiro de 2014 e dezembro de 2013 (indicador acumulado no ano) o IPP atingiu 1,95%, contra 1,43% em janeiro/14. Este é o segundo maior resultado da série em fevereiro (fevereiro 2010, 2,74%). Entre as atividades que, em fevereiro/14, tiveram as maiores variações percentuais na perspectiva deste indicador sobressaíram: metalurgia (5,15%), refino de petróleo e produtos de álcool (5,09%), móveis (4,40%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (4,26%). Neste indicador, os setores de maior influência foram: refino de petróleo e produtos de álcool (0,56 p.p.), outros produtos químicos (0,40 p.p.), metalurgia (0,39 p.p.) e alimentos (-0,22 p.p.).

Ao comparar fevereiro de 2014 com fevereiro de 2013 (indicador acumulado em 12 meses), a variação de preços ocorrida foi de 8,24%, contra 7,31% em janeiro. É o maior resultado da série, nessa perspectiva. As quatro maiores variações de preços ocorreram em fumo (19,31%), calçados e artigos de couro (14,50%), outros equipamentos de transporte (12,80%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (11,12%). As principais influências para o indicador vieram de alimentos (1,97 p.p.), refino de petróleo e produtos de álcool (1,18 p.p.), outros produtos químicos (0,92 p.p.) e metalurgia (0,81 p.p.).

Alimentos: a variação de preços do setor foi de 0,44%. Com isso, o acumulado no ano saiu de - 1,52% para - 1,09%. Ainda que a variação acumulada tenha sido negativa, os preços de fevereiro de 2014 eram maiores em 10,11% aos de fevereiro de 2013, pois, em 2013, o primeiro bimestre do ano havia acumulado variação de - 4,06%. Entre a lista de maiores variações e de maiores influência apenas o leite esterilizado / UHT / Longa Vida é comum às duas. Na de influência, os outros produtos são: resíduos da extração de soja, farinha de trigo e açúcar cristal. Os quatro produtos de maior influência responderam por 0,31 p.p. (de 0,44%), sendo que resíduos da extração de soja e leite esterilizado / UHT / Longa Vida apresentaram variações positivas de preços e os outros dois, negativas. Fevereiro é mês de safra de soja, mas o clima (seca em quase todo o país e excesso de chuva no Mato Grosso), auxiliado pelo baixo nível de estoque nos EUA e pelo câmbio, fez com que os preços da matéria-prima para os resíduos da extração de soja subissem. A seca extemporânea afetou positivamente o preço do leite. Já a demanda menos intensa no mercado externo explica a queda observada no açúcar cristal. Por fim, baixos níveis de negócios (Informativo CEPEA) no Sul do país, explicados pela espera da entrada do produto argentino, fizeram com que o preço da matéria-prima da farinha recuasse em fevereiro.

Papel e celulose: a fabricação de celulose apresentou, em fevereiro, variação negativa de 1,87% na comparação com janeiro, reduzindo o acumulado no ano para 1,05%. Com relação aos últimos 12 meses, a atividade manteve resultado positivo de 11,07%. Com o resultado negativo de fevereiro, a atividade foi a que mais influenciou negativamente o IPP de fevereiro, com - 0,06 p.p. Os produtos que tiveram maior impacto negativo nesse resultado foram celulose, papel para escrita, impressão e outros usos gráficos, não revestidos de matéria inorgânica e papel kraft para embalagem não revestido. Dentre os mais importantes para o resultado de fevereiro, o único com variação positiva foi fraldas. Somados, esses produtos totalizaram -1,8 p.p. no resultado de fevereiro. Já no acumulado no ano, apenas celulose aparece com variação negativa. Os produtos papel para escrita, impressão e outros usos gráficos, não revestidos de matéria inorgânica, fraldas e caixas e cartonagens dobráveis de papel-cartão ou cartolina tiveram variações positivas. Todos os produtos de maior impacto no acumulado em 12 meses apresentaram variações positivas: celulose, papel para escrita, impressão e outros usos gráficos, não revestidos de matéria inorgânica, cadernos e caixas de papelão ondulado ou corrugado.

Refino de petróleo e produtos de álcool: os preços tiveram variação média de 0,56% em fevereiro de 2014, com relação a janeiro, seguindo trajetória positiva registrada desde dezembro. O resultado, porém, vem em patamares menos elevados depois da maior variação mensal do setor registrada em janeiro. Na composição geral do índice da indústria de transformação, o setor participou com 0,06 p.p., de um total de 0,51% de todas as atividades manufatureiras. Esse resultado fez com que o índice do setor acumulado nos últimos 12 meses registrasse alta de 10,58%, na terceira posição, em termos de influência para este indicador, entre todos os 23 setores cobertos pelo IPP.  No ano, o setor acumulou 5,09%, muito por conta das variações de janeiro. Dos quatro produtos que tiveram destaque na influência do indicador mensal, três tiveram variações positivas: álcool etílico (anidro ou hidratado), naftas e querosenes. O produto óleos lubrificantes básicos registrou variação negativa. Juntos, foram responsáveis por 0,57 p.p. do indicador de 0,56% do setor, o que significa que os demais produtos contribuíram no sentido contrário.

Outros produtos químicos: a indústria química registrou 1,54% de variação de preços no indicador de fevereiro em relação a janeiro de 2014, na mesma trajetória positiva dos últimos dois meses. O indicador dos últimos 12 meses, depois de desaceleração na passagem de outubro para novembro, voltou a indicar trajetória ascendente em dezembro, janeiro e fevereiro, alcançando 8,15% frente a fevereiro de 2013. No ano, o setor acumulou 3,60%. Em se tratando dos valores de fevereiro frente a janeiro, os quatro produtos em destaque foram herbicidas, adubos NPK, ureia e superfosfatos. Dos quatro, apenas os superfosfatos registraram variação mensal negativa. Os quatro produtos em destaque representaram, juntos, 0,72 p.p. de um total de 1,54% de toda a química. No acumulado do ano, no entanto, além dos adubos fertilizantes e seus intermediários (adubos NPK e ureia), os petroquímicos básicos e as resinas também apareceram nos produtos de maior influência (etileno e polipropileno), todos com viés positivo. No indicador de doze meses, o quadro para os produtos ainda refletiu a forte influência da elevação dos preços das naftas ocorrida ao longo de 2013, com maior destaque para os petroquímicos básicos (propeno e etileno) e resinas (polietileno), além dos herbicidas. Na comparação com fevereiro de 2013, todos os produtos registraram variação positiva.

Metalurgia: o resultado de fevereiro de 2014 foi positivo em 0,81%, o que contribuiu para que a variação acumulada nos últimos 12 meses chegasse a 10,54% (maior resultado da série) e a 5,15% no primeiro bimestre do ano, resultados mais significativos do IPP para este setor desde o início do levantamento. Em fevereiro, os quatro produtos com maiores variações tiveram resultados ligados à metalurgia do aço, mais especificamente um pertencente à produção de semi-acabados de aço (lingotes, blocos, tarugos ou placas de aços ao carbono) e três ligados à produção de laminados planos de aço (barras de outras ligas de aços, exceto inoxidáveis, com variação negativa, bobinas ou chapas de aços inoxidáveis, inclusive tiras e chapas grossas de aços ao carbono, não revestidos). Entre estes produtos, chapas grossas de aços ao carbono, não revestidos e lingotes, blocos, tarugos ou placas de aços ao carbono aparecem entre os quatro mais significativos na influência no mês, junto com bobinas a frio de aços ao carbono, não revestidos e alumínio não ligado em formas brutas. Os quatro produtos em destaque na influência contribuíram com 0,91 p.p., ou seja, os demais 18 produtos da atividade contribuíram com um resultado negativo de -0,10 p.p. no resultado do mês. Analisando a influência em relação ao resultado acumulado no ano e nos últimos 12 meses, os quatro produtos destacados foram os mesmos, além de serem também os de maior contribuição: alumínio não ligado em formas brutas, bobinas a frio de aços ao carbono, não revestidos, bobinas a quente de aços ao carbono, não revestidos e lingotes, blocos, tarugos ou placas de aços ao carbono.

Veículos automotores: a fabricação de veículos automotores encerrou fevereiro com 0,65% na comparação com janeiro, elevando o acumulado no ano para 1,72%. O indicador acumulado em 12 meses registrou 3,65%, a maior variação da série histórica para a atividade. Os produtos de maior importância no resultado mensal foram automóveis para passageiros, a gasolina, álcool ou bicombustível, de qualquer potência e caminhão-trator para reboques e semi-reboques, com variação positiva e caminhão diesel com capacidade superior a 5t e carrocerias para ônibus, com variações negativas. Esses quatro produtos totalizaram 0,53 p.p. do resultado mensal. No acumulado do ano, os produtos automóveis para passageiros, a gasolina, álcool ou bicombustível, de qualquer potência, caminhão-trator para reboques e semi-reboques e caixas de marcha para veículos automotores apresentaram variações positivas. Já o produto motores de partida para motores de explosão se destaca pela variação negativa. Todos os produtos que se destacaram no acumulado em 12 meses apresentaram variações positivas.

Arquivos oficiais do governo estão disponíveis aos leitores.

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