Dois projetos, um na Câmara dos Deputados e outro no Senado, pretendem regulamentar a profissão de filósofo e de historiador: é a imposição da censura à moda da regulamenteção da profissão de jornalista e da criação do Conselho Federal de Jornalismo!
Por Klauber Cristofen Pires
Os leitores habituais já conhecem o meu
antagonismo com relação à regulamentação das profissões.
Regulamentar uma profissão é
burocratizá-la: é o primeiro passo para o sindicalismo oficialista
e dali para a criação de um corporativista e mafioso conselho de
classe.
Regulamentar uma profissão é fazer com
que o diploma valha mais do que o conhecimento que o merece...ou
deveria merecê-lo.
Regulamentar uma profissão é
estabelecer uma sociedade de trincheiras, composta por aglomerações
de grupos de interesses que só argumentam ad auctoritatis e
deslegitimam a priori qualquer pensamento divergente.
Regulamentar
uma profissão é promover o monopólio estatal do conhecimento e a
marginalização das atividades lícitas por pessoas autodidatas
íntegras e de boa fé.
Regulamentar
uma profissão é impor o controle a engenharia sociais à sociedade
por meio da doutrinação ideológica em massa pelos canais oficiais
ou legais e dotar o estado de meios com que deslegitimar e perseguir
os dissidentes.
Pois
saibam que estão em fase de projeto de lei a regulamentação de
duas atividades que são inerentes às próprias liberdades
individuais fundamentais de pensamento e de expressão de todo e
qualquer brasileiro: a de historiador e a de filósofo.
A
regulamentação da profissão de historiador, proposta pelo Senador
Paulo Paim, do PT/RS, sob o nº 368/2009, já teve seu texto
final aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado e
atualmente está sob a relatoria do Senador
Cristovam Buarque (PDT/DF).
Além de
citar um esdrúxulo rol de atribuições privativas, estabelece que
somente poderão ser historiadores aqueles aprovados em curso de
nível superior de História em instituições regulares de ensino
nacionais ou estrangeiras, após revalidação no Brasil, e
registrados nas Superintendências do Ministério do Trabalho.
Por sua
vez, a regulamentação da profissão de filósofo, de iniciativa do
Deputado Federal Ciovanni Cherini (PDT/RS), atualmente tramita na
Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público
(CTASP), tendo esgotado o prazo para a apresentação de emendas,
sendo que nenhuma o foi, o que resulta que o texto inicial deverá
ser aprovado conforme proposto.
De teor
semelhante ao de historiador, difere apenas no artigo que aceita
os filósofos autoditadas que tenham desempenhado suas atividades há
pelo menos cinco anos anteriores à data da publicação da lei (Art.
1º, “e”), bem como elege a Academia Brasileira de Filosofia como
a representante da filosofia e língua filosófica nacionais
(Art.7º).
Quando
enfim estas duas propostas converterem-se em lei, virtualmente
qualquer pessoa poderá ter o seu direito de liberdade de expressão
cerceado por uma mera notificação dos respectivos órgãos de
classe. Sem exageros ou metáforas, é a mais pura imposição da
censura e do pensamento único, aliás, em perfeita sintonia com as
metas de controle social da mídia almejadas pelo PT e pelas
esquerdas, agora atacando por outros flancos, a exemplo da tentativa
da regulamentação da profissão de jornalista e criação do
orwelliano Conselho Federal de Jornalismo.
Duvidam?
Pois leiam o Art. 5º da Proposta de Regulamentação da Profissão
de Filósofo: “Art. 5º -
Admitir-se-á, igualmente, a formação de empresas ou entidades de
prestação de serviço previstos nesta Lei, desde que as mesmas
mantenham Filósofo como responsável técnico e não cometam
atividades privativas de Filósofo a pessoas não habilitadas.”
Filósofo
como “responsável técnico”? Arre, égua! Mas, olhem aí: “...e
não cometam atividades privativas de filósofo a pessoas não
habilitadas”.
Como diz o ditado popular... “para
bom entendedor, meia palavra, besta!”;
É
importante destacar que não somente os “leigos” ou “autoditadas”
provarão do gosto da fita adesiva, mas também os próprios
historiadores e filósofos que descumprirem com as futuras resoluções
dos seus respectivos órgãos reguladores da profissão. Falo, claro,
daqueles que conseguirem escapar à peneira das instituições de
ensino, pois estas já têm sua grade curricular totalmente formatada
para promover a mais descarada doutrinação ideológica
Se
alguém possa duvidar de tamanha maquiavelice, basta tomarem
conhecimento das perseguições promovidas contra as psicólogas
cristãs Rosângela Justino e Marisa Lobo. Os distraídos e ainda
mais os sonsos virão com aquele papo furado de “estado laico”,
mas como já demonstramos de forma inegável, o Conselho Federal de
Psicologia promove intenso e atenção, ilegal(!) protagonismo
político-ideológico em favor da campanha gaysista e de controle
social dos meios de comunicação, expressão que significa não
outra coisa que a censura pelo estado e por sua militância.
Já
disse e repito: o Conselho Federal de Psicologia comete o duplo crime
de prevaricação e abuso de poder, coisa que os (seletivamente)
zelosos Procuradores da República já deveriam ter tomado alguma
atitude há muito tempo!
Qualquer
pessoa pode ser um historiador – grandes historiadores do mundo não
fizeram nenhum curso na área; porém, se alguém considerar útil
frequentar uma faculdade de História, e se esta demonstrar por sua
real competência que é capaz de forncer mais informações,
então...tanto melhor!
Qualquer
pessoa pode ser um filósofo – os maiores filósofos da história
não fizeram nenhum curso na área; porém, se alguém considerar
útil frequentar uma faculdade de Filosofia, e se esta demonstrar por
sua real competência que é capaz de fornecer uma formação mais
completa, então...tanto melhor!
Qualquer
pessoa pode ser um jornalista – grandes, reconhecidamente
competentes e famosos jornalistas jamais pisaram numa faculdade como
alunos; porém, se alguém considerar útil frequentar uma faculdade
de Jornalismo, e se esta demonstrar por sua real competência que é
capaz de fornecer uma formação mais completa, então...tanto
melhor!
Quando
as faculdades cumprem o seu papel de oferecer conhecimento, nada há
de mal que existam! Quando um determinado profissional decide
livremente adquirir conhecimento em uma faculdade para com isto
melhorar o desempenho de suas atividades, nada de mal há nisso! É
da própria essência de uma sociedade livre!
Entretanto,
o grande perigo é transformar as faculdades em filtros formais de
seleção ideológica e criar obstáculos para que somente as pessoas
que passem por tais seleções sejam habilitadas a exercer suas
atividades. No caso das ciências sociais e humanas, trata-se do
maior dos perigos.
Não
tarda - não duvido - que os poetas, pintores, escultores e até os
padres e pastores venham a ter em breve suas atividades reguladas
pelo estado. Os músicos já o haviam sido, pela pena de Getúlio
Vargas, até que tamanha estultice foi recentemente extinta pelo STF.
Será que irá nos salvar da próxima vez?
P.S.:
Quem quiser participar de uma petição em repúdio à proposta de
regulamentação da profissão de filósofo, clique
aqui. Agradeço quem souber onde haja ou quem criar uma
equivalente para a de historiador.
- Ei, onde você vai?
ResponderExcluir- Tô indo pro batente.
- Ah é? E você faz o quê?
- Eu tô trabalhando como filósofo.
- Legal.
- Mês que vem eu vou tirar férias. Já programei uma viagem para Recife. Neste ano eu trabalhei prá caramba.
- Beleza. Então boa sorte e até mais ver!
- Falô!
* * *
Não deixem de ir amanhã à assembléia do Sindicato dos Filósofos. Será discutido a pauta de reivindicações como auxílio-moradia e plano de saúde. Sua presença é importante!
O Conselho Federal de Filósofos (CONFEDEFILO) proibiu citações filosóficas para os não-filósofos. De acordo com a presidenta do Conselho, Jhennypher de Buvuá da Silva, citar filósofos por leigos é como uma pessoa que não seja da área médica prescrever remédios. Consiste em exercício ilegal da profissão.
ResponderExcluirCitações filosóficas são recursos utilizados por vários profissionais: escritores, críticos de arte, músicos, humoristas, jornalistas, etc.
Para o advogado Fulano de Tal, a medida é improcedente: “estudar filosofia no ensino fundamental para quê, se este conhecimento não poderá ser usado? É paradoxal.”
Mas, como a lei não retroage, a música “Eduardo e Mônica” não será proibida por conter uma citação do filósofo Pascal.
É melhor eu parar por aqui, senão vou acabar dando ideia...
Penso que denúncias, levantes, contrariedades, militâncias político- ideológicas á parte, o sol brilha para todos. Esta pretenção academicista de querer justificar o "livre pensar" de todos que se propõem a tal exercício á base de discursos inócuos sem qualquer respaldo ou contribuição para a socidedade já caiu por terra á muito tempo. A regulamentação da profissão de filósofo, seja ela boa ou ruim vai depender do ponto de vista e do teor de legitimidade que se atribui á coisa. Realmente, um bom “profissional” não deve falar á sociedade via certificados, diplomas ou títulos. Em seu âmago, enquanto ser dialogante com a sociedade é que se vai definir o tônus criativo e de vontade qualificadora da ação tanto contribuinte quanto transformadora. A profissão de filósofo já existe, não somos professores de Filosofia ? Quem é o professor de Filosofia ? Um pensador, um visionário do livre pensar, ou apenas um tagarelante de idéias já consagradas pela tradição de forma a manter o catedratismo vaidoso ? Fizemos sim uma faculdade de Filosofia, passamos por privações e choques de idéias, desconstruímos ditas “verdades”, quebramos o senso comum preconceituoso em várias etapas, fomentamos novas possibilidades da percepção das vida,servimos de base conceitual para a validação de várias funcionalidades humanas, tanto em setores de conhecimento como de produção. Penso que já passou da hora de nos livrarmos destes preconceitos velados, de uma Filosofia abstratista moldada por belos discursos de uma esteticidade empolgante, mas ao mesmo tempo sem nenhuma contribuição para a vida humana. Porque não podemos nos valer de nossa trajetória do pensar crítico, vislumbrador de novas realidades e levarmos isso para outros setores da sociedade que não sejam apenas universidades ou escolas ? Se existem aqueles que insistem em colocar a Filosofia num tipo de caixinha de ouro intocável ,fechada á sete chaves , á parte do mundo, de forma a manter um tipo de egocentrismo intelectualóide arrogante que seja...façam isto. Mas também existem outros focos da Filosofia, outras nuances que poderiam também ser exploradas. Isso depende da singularidade do olhar de cada um, ou de cada “uns”. No caso, a respeito da contrariedade da proposta de regulamentação da profissão de filósofo é sempre bom se atentar para um detalhe tão influente quanto sutil, ou seja, todo contraponto diante de uma proposta ou mudança, e que se vale de uma perspectiva denunciante por querer manter um tipo de brio diante de uma vaidade ofendida, também possui seus “podres ideológicos”, nenhum discurso possui um pureza pretensiosa...
ResponderExcluir